A importância do uso da tecnologia contra o crime

SALA DE MONITORAMENTO da SSPDS: tecnologia para prevenção de crimes GUSTAVO SIMÃO/ESPECIAL PARA O POVO

A crescente nos números da criminalidade no país transformaram o tema da segurança em um dos maiores desafios de gestores públicos. Dezessete das 50 cidades mais violentas do mundo estão no Brasil – conforme ranking da organização de sociedade civil mexicana Segurança, Justiça e Paz – e Fortaleza está entre elas. Diante deste cenário, a tecnologia têm sido cada vez mais apontada como poderoso vetor para a redução nos números da violência.

Além de apontar resultados positivos na redução do número de crimes em cidades que investiram em inteligência, o uso das tecnologias aumenta a eficiência dos gastos públicos. Videomonitoramento, base de dados integradas, programas de reconhecimento, biometria, análises avançadas de informações são capazes de potencializar investigações e atuarem inclusive na prevenção de crimes.

“A grande maioria dos lugares têm câmeras espalhadas por pontos da cidade e uma central onde uma equipe de operadores monitora as ocorrências, mas esse tipo de cenário não é inteligente, eficiente no combate ao crime”, explica Gláucio Silva, gerente nacional de vendas da Axis Communication, empresa especializada em inteligência em tecnologias de segurança.

Conforme ele, o maior crescimento é na inteligência das máquinas. Ele destaca o uso dessa ação inteligente. “A capacidade de aprender com situações e, a partir desse aprendizado, ter câmeras que conseguem identificar aglomeração, confusão, sistemas que identificam possíveis sons de tiro, de vandalismo, vidro quebrando, criando uma ação inteligente e focada para que possa responder a esse tipo de questão”, diz.

No Ceará, uma nova plataforma inteligente têm trazido resultados na captação de carros roubados ou clonados. O Sistema Policial Indicativo de Abordagem (Spia) é desenvolvido pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) em parceria com a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) e a Universidade Federal do Ceará (UFC). Conforme André Costa, titular da SSPDS no Ceará, o sistema reúne dados de órgãos de segurança federais, estaduais e municipais e é capaz de identificar e acionar quando um carro é roubado ou tem placa clonada.

“Antes do Spia tínhamos muita boa vontade e disposição do policiais, tínhamos câmeras utilizadas mas que dependiam do fator humano, hoje eu dependo menos do homem e da mulher da segurança e dependo mais da nossa inteligência artificial, hoje eu consigo, com esses diversos sensores e câmeras, ter dados em tempo real. A gente cria algoritmos e parâmetros que essa inteligência artificial nos dá de forma automatizada”, explica.

Em cerca de um ano, por meio da plataforma, houve redução em 30,9% em roubos de veículos em todo Estado. Em relação ao índice de recuperação de veículos, o aumento foi de 43% entre 2017 e o ano anterior. Além da redução dos crimes, o sistema permitiu ainda a integração com dados da Paraíba em protocolo assinado no mês passado.

O resultado é positivo, mas, apesar de uma das bases desse monitoramento ser a vigilância da mobilidade do crime, ainda não existem resultados significativos na redução do número de homicídios. Francisco Lucas de Oliveira, presidente do Sindicato dos Policiais Civis do Ceará (Simpol), reconhece o mérito do sistema, mas critica que muitos delegados titulares sequer têm acesso. Para Oliveira, isso dificulta a integração e investigação.

Questionado, o secretário argumenta que o sistema segue em aprimoramento tanto para a revisão de permissões quanto para as possibilidade de usos. “O que tem impactado mais é na investigação e elucidação dos homicídios, o que vai impactar na prevenção é a territorialização, segunda parte dessa estratégia”, diz. André afirma que há investimento aprovado em processo de execução de R$ 8,5 milhões em tecnologia. Além de aquisição de equipamentos, a verba será empregada em bolsas para pesquisadores na área.

Em Santa Catarina, um dos estados com menor índices de homicídios, além de tecnologias de reconhecimento facial, o trabalho de policiais é otimizado por meio de aplicativo e kit de tecnologia móvel que permite que ocorrências sejam registradas ainda no local do crime, possibilitando inclusive emissão de Termos Circunstanciados de Ocorrência (TCO). “Assim, automaticamente as informações são repassadas para a Polícia Civil, isso diminuiu o tempo de identificação de cada ocorrência de 50 para 20 minutos”, afirma Alceu de Oliveira, titular da Secretaria da Segurança Pública de Santa Catarina.

Gláucio Sousa reforça que tecnologias são de fato importantes, mas a eficácia na execução depende de um bom projeto. “É preciso avaliar o ambiente, pensar na melhor solução… A eficácia se dá na qualidade do projeto que foi feito. Na forma com que se especifica os equipamentos, na forma com que vai prover infraestrutura. Senão, de nada adianta ter um poste com câmera de alta definição”, conclui.

Fonte: O POVO Online