Alimentos básicos ficaram 50,7% mais caros em cinco anos

O fortalezense teve seu poder de compra diminuído nos últimos cinco anos. Isso porque houve alta de preços de alimentos básicos bem acima da inflação e também sobre o rendimento do salário mínimo em igual período. O valor dos 12 produtos que compõem a cesta básica subiu 50,75%, saindo de R$ 287,19 em julho de 2014 para R$ 432,96 no último mês. Manteiga, tomate, banana e feijão foram os principais vilões, conforme os dados do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).

Para dar uma noção do impacto deste aumento, a inflação medida pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) no período foi de 34,84%, segundo o relatório do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que detalha de forma mais objetiva o peso dos alimentos no bolso da população que ganha até cinco salários mínimos. Os valores inflacionados da Capital são maiores que a média nacional de 33,6%, considerando igual base de comparação temporal.

O INPC mais atual ainda revela que o item alimentação e bebidas, com 36%, foi o que mais pesou no orçamento dos fortalezenses. O economista e supervisor técnico do Dieese no Ceará, Reginaldo Aguiar, explica que, a cada ano que passa, o impacto vem crescendo, “neutralizando qualquer ganho real que possa ser oferecido à população com o reajuste do salário mínimo”.

Entre 2014, quando o salário mínimo era de R$ 724 até hoje, com os atuais R$ 998, a alta acumulada do valor chegou a 37,8%. Abaixo do crescimento da cesta básica.

O supervisor técnico do Dieese no Ceará acrescenta que Fortaleza é uma das capitais em que o orçamento das famílias mais é afetado pelo encarecimento dos alimentos, com peso de 47,16% em julho. No Nordeste, a Capital costumeiramente tem a cesta mais cara, mesmo com um dos níveis médios de renda mais baixos do País.

Além disso, essa renda menor, quando é corroída com gastos em alimentação, inibe o mercado, pois sobra menos dinheiro para comprar roupas, ir a um restaurante, despesas médicas, investimentos.

Conforme Raimundo Eduardo Silveira Fontenele, doutor em Ciências Econômicas pela Université de Paris XIII e professor do Programa de Pós-Graduação em Administração e Controladoria da Universidade Federal do Ceará (PPAC-UFC), o prejuízo é mais sentido pelos consumidores mais pobres.

“O aumento de preços dos itens da cesta básica, além da queda da renda agregada por causa do desemprego elevado, atenua mais ainda o problema para o bolso dos consumidores”. Leia mais na página 11

Vilões

Os produtos com os principais aumentos de 2014 a 2019 foram: manteiga ( 115%); tomate (71%); banana (67%); feijão (58%); pão (45%); leite (40%). O que menos cresceu foi o óleo (14%).

Importação

O que também contribui para aumentar o preço de alguns produtos é a necessidade de importá-los de outras regiões, caso da carne, da soja, do óleo vegetal, que vêm do Centro-Oeste e Sudeste.

Fonte: O POVO Online