Altas de começo do ano deixam Fortaleza com a maior inflação do País

Puxado principalmente pelo grupo habitação, que corresponde a despesas com taxas de serviços públicos como água e luz, aluguel e combustíveis, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) acelerou 0,99% em Fortaleza no mês de abril. Já a variação acumulada desde janeiro de 2019 supera as demais capitais analisadas no País, chegando a 2,52%. No ano, é a maior prévia da inflação na Capital e a terceira maior entre as regiões para o mês. As informações são do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O fato é que as altas impactam no orçamento dos consumidores. Na casa de Giovane de Sousa, 41, moram dez pessoas e somente três garantem a renda. De acordo com o vendedor, que tem salário variável, a busca sempre é por promoções e economia de energia. “A última conta veio R$ 276. É muito difícil de a gente conseguir dar conta de tudo e ainda tem o aumento (conta de luz) chegando neste próximo mês”, disse.

Embora os índices de Fortaleza estejam entre os três maiores do mês de abril nas regiões consultadas, quando os números são considerados nos últimos 12 meses, a Capital cearense desce para a sexta posição.

 “Fortaleza até o ano passado, 2018, estava entre as mais baixas (taxas de inflação). Esse aumento é um reflexo dessa alta nesses dois meses atípicos, fevereiro e março, puxado também pela educação e preço dos alimentos”, analisa Alessandra Araújo, professora dos cursos de finanças e economia da Universidade Federal do Ceará (UFC), Campus Sobral. Conforme ela, o novo aumento da conta de luz deve reverberar no valor da inflação de meses posteriores.

O IPCA-15 mede a prévia da inflação oficial, oferecendo a variação dos preços no mercado varejista. Para o cálculo de abril, os valores foram coletados no período de 16 de março a 12 de abril de 2019 (referência) e comparados com aqueles vigentes de 13 de fevereiro a 15 de março de 2019 (base).

Em janeiro, a oscilação de Fortaleza foi a menor: 0,04%. A partir do mês de fevereiro, a variação positiva continua prosseguindo: 0,55%; 0,92% em março; e, por fim, 0,99% em abril. Além da parte de habitação, a alimentação também repercutiu nessa alta. De acordo com Daniel Suliano, analista de políticas públicas do Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará (Ipece) este foi um dos grupos que interferiram na alta nacional.

“O preço de alimentos têm peso maior aqui no Ceará, então, quando esse valor nacional sobe, aqui sobe ainda mais. Tanto que Fortaleza por muito tempo teve as mais baixas inflações por causa das boas safras de 2016 e 2017″, disse. Para o especialista, os valores devem subir até junho. De acordo com o economista Aécio Alves de Oliveira, uma vez motivada pelo grupo habitação, a tendência é que posteriormente esses preços baixem. (Colaborou Izadora Paula)

Fonte: O POVO Online