Apesar de pressionado, Governo mantém política de preços da Petrobras

PEDRO PARENTE está sob pressão e divide opiniões até dentro do PSDB, que o indicou JOSÉ CRUZ/AGÊNCIA BRASIL

O governo do presidente Michel Temer (MDB) reafirmou ontem que vai manter a política de preços da Petrobras adotada pelo presidente da estatal Pedro Parente. A nota oficial do Palácio do Planalto foi emitida um dia depois de Temer admitir possível reexame da política, “mas com muito cuidado”.

 

A manutenção da prática adotada pela petroleira tem sido motivo de pressão da oposição e de parte da base aliada do emedebista no Congresso Nacional. Ontem, 29 senadores assinaram proposta de abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) no Senado para investigar a política de reajuste dos combustíveis. A iniciativa foi da oposição.

A senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM) defendeu a abertura da CPI para investigar a “caixa preta” da estatal e afirmou ainda que não se trata de uma ação meramente política de desestabilização do governo.

Embora não demonstrando apoio à instalação da CPI, o presidente do Congresso Nacional, Eunício Oliveira (MDB), defendeu a abertura da “caixa preta” da Petrobras como forma de discutir a política de ajustes adotada pela empresa que também tem capital privado. “Não quero aqui pedir demissão de ninguém, mas essa planilha precisa ser apresentada porque se não daqui uns dias nós vamos ter outros problemas, como a questão da gasolina e do gás de cozinha”.

 

Defendendo a demissão de Pedro Parente do cargo, o senador Cássio Cunha Lima (PSDB-PB) criticou o governo diante de uma crise ainda não resolvida. “É um Governo que não é apenas impopular; é um Governo que, além de impopular, é incompetente, é incapaz de gerenciar o dia-a-dia do nosso País. Portanto, além da revisão da política de preços, faz-se necessária uma redução, sim, de carga tributária”, discursou o tucano.

 

Em entrevista ao O POVO, os deputados federais Betinho Gomes (PSDB-PE) e Marcus Pestana (PSDB-MG) declararam que não militam pela queda de Parente da direção da estatal. O que eles têm pressionado é que o Palácio do Planalto adote um método para não repassar diretamente a volatilidade do câmbio e o preço do barril de petróleo internacional quase diário.

 

“Acho que o Parente tem que se manter. O problema foi a insensibilidade do governo. O Parente está fazendo o papel dele que é recuperar a empresa, que é voltar a gerar lucros, a se reerguer”, declarou Betinho.

 

Já Pestana é a favor de que a “sistemática de aumentos diários” seja revista pelo governo, “mas não como um modelo populista que tire a transparência que vai pagar a conta”. Para ele, Parente tem que permanecer no cargo porque está exercendo o seu “o papel”.

 

REAJUSTES

 

CRISE DOS COMBUSTÍVEIS

 

NOVO PREÇO

A Petrobras anunciou que, com o reajuste que entrará em vigor hoje, o preço médio do litro da gasolina A sem tributo nas refinarias será de R$ 1,9671, com alta de 0,74% em relação à média atual de R$ 1,9526 Congelado por 60 dias, o preço médio nacional do litro do diesel A permanece em R$ 2,1016.

ANTT

A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) divulgou ontem a tabela com preços mínimos referentes ao quilômetro rodado na realização de fretes por eixo carregado.

A fixação de uma tabela de frete foi uma das exigências dos caminhoneiros na greve deflagrada na semana passada.

Fonte: O POVO Online