Após ataques no Ceará, atraso em ligações de energia aumenta

O índice de atraso em ligações de energia que precisam de obras da Enel Distribuição Ceará aumentou neste ano, principalmente pelo impacto da crise de segurança no Estado do começo deste ano. Hoje a empresa tem 6,3 mil pedidos e 57% deles (3.591) estão em espera. A concessionária se comprometeu a zerar o percentual até o fim do ano.

O presidente da Agência Reguladora do Estado (Arce), Fernando Franco, destaca que as fiscalizações iniciadas ontem verificam a efetividade dos esforços da distribuidora em benefício dos consumidores do Ceará. O analista de regulação que estará à frente dos trabalhos, Hugo Oliveira, conta que a iniciativa deve durar dois meses.

“Nesse primeiro momento, a ação acontece por intercâmbio documental e um dos principais documentos é a lista dos pedidos de ligação de energia com necessidade de obras dos últimos dois anos”, afirma.

O problema é considerado antigo, pois essa não é a primeira ação do tipo. Em 2014, a empresa, então Coelce, chegou ao quantitativo de quase 12 mil serviços atrasados. Os casos envolviam serviços não iniciados ou que não foram concluídos a tempo.

O coordenador da área de Energia da Arce, Cássio Tersandro, analisa que o problema exigiu um termo de ajustamento de conduta (TAC), que foi cumprido naquele momento e os trabalhos realizados, mas outros pedidos foram feitos e novo passivo criado. “Nunca chegou efetivamente a gerar, porque os pedidos são constantes e o passivo da Enel vai sempre se renovando “.

O processo entre agência e concessionária exige uma série de trâmites. Primeiro é realizado plano de melhorias, em que a empresa recebe a oportunidade de se adequar em período de tempo. Como a Enel não conseguiu se regularizar, a Arce iniciou as fiscalizações para efetivamente punir a distribuidora de energia pelas irregularidades apontadas e não corrigidas.

Ao O POVO, a Enel esclareceu que realizou investimentos 27,3% maiores em conexões de novos clientes e modernização da rede no último ano para solucionar o problema, que foi acentuado pela crise de segurança no Estado.

“Os serviços da distribuidora foram impactados, principalmente em áreas de risco, onde houve necessidade do apoio da Polícia Militar para execução dos trabalhos. A companhia também registrou um aumento de 31% no número de solicitações de novas ligações feitas no último ano, principalmente no interior do Ceará, onde há um maior crescimento da zona rural”. Apenas no primeiro trimestre deste ano a companhia diz ter investido R$ 159 milhões no Estado.

Setor com situação resolvida com a Enel, a construção civil já teve relação estremecida pelos prejuízos causados antes da instalação de comissão entre a Enel e Sindicato da Indústria da Construção Civil do Ceará (Sinduscon-CE) para resolver as questões do tipo.

O presidente da entidade, André Montenegro, diz que ultimamente essas pendências vêm sendo resolvidas com diálogo entre as partes. “Não resolveu totalmente, mas a iniciativa foi positiva e os problemas têm sido solucionados.”

Fonte: O POVO Online