Após um ano do caso Dandara, dois acusados continuam foragidos

DANDARA DOS SANTOS foi espancada e morta no bairro Bom Jardim  
MARIANA PARENTE 6/3/2017

Ridicularizada, espancada, carregada em um carro de mão, apedrejada e cruelmente morta por ousar ser uma mulher transexual no quarto estado do País que mais mata pessoas trans. Há exatamente um ano, Dandara dos Santos foi morta aos 42 anos, no bairro Bom Jardim, por um grupo de oito homens e quatro adolescentes que filmou toda a ação.

Somente 16 dias depois, o caso ganhou repercussão internacional e suscitou debates sobre LGBTfobia (preconceito contra lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais e transgêneros). Ainda assim, passados 12 meses, Francisco Wellington Teles e Jonatha Willyan Sousa da Silva, dois dos acusados, permanecem foragidos, com mandados de prisão preventiva em aberto.

“O Ministério Público se ressente de que a Polícia do Estado do Ceará não tenha tido, ao longo de um ano, eficácia e eficiência de prender dois dentre os oito (adultos) que praticaram esse crime contra Dandara. Eles se encontram foragidos, o processo dos dois em suspenso”, assevera o promotor de Justiça Marcus Renan Palácio de Morais Claro dos Santos, responsável pela acusação.

Para Hélio Leitão, advogado assistente da acusação, o processo que aguarda somente a chamada para júri popular transcorreu dentro da normalidade . “A tramitação foi regular, os acusados tiveram respeitadas suas garantias constitucionais, dentro da mais absoluta regularidade”, afirma.

Em nota, a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) diz considerar o caso elucidado e não informa sobre buscas aos foragidos.

A expectativa do Ministério Público Estadual é que a partir da segunda quinzena de março os réus pronunciados sejam julgados em júri popular. “No juízo de valor do Ministério Público, as provas carreadas para os autos são abundantes e não sobressai nenhuma dúvida quanto à responsabilidade penal de todos os envolvidos”.

Transcorrido um ano e após debates acerca do caso, Narciso Junior, coordenador especial de Políticas Públicas para LGBT do Gabinete do Governador, destaca Plano Estadual de Políticas Públicas Para a População LGBT, decreto de abril de 2017, e o atendimento de pessoas trans em Delegacia da Mulher como avanços aprofundados após o assassinato de Dandara. Para ele, é preciso combater “onda conservadora que tenta influenciar na retirada de direitos da população LGBT”. “O desafio é trabalhar as questões socioculturais de uma sociedade que recrimina, vitimiza e violenta o cidadão LGBT do nosso Estado”.

O POVO tentou contato com a família de Dandara durante toda a tarde de ontem, mas as ligações não foram atendidas.

Fonte: O POVO Online