Brasil precisa pesquisar riscos da Mycolasma genitalium

Alerta emitido pela Associação Britânica de Saúde Sexual e HIV (BASHH, na sigla em inglês) na semana passada sobre a bactéria Mycoplasma genitalium (MG) deixou especialistas do mundo todo preocupados com o risco de o agente se tornar uma superbactéria, imune a antibióticos, nos próximos 10 anos. Apesar de descoberta há 40 anos, pouco se sabe sobre ela. No Brasil, não existem pesquisas que avaliem a resistência da bactéria.

O infectologista e professor da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Ceará (UFC) Ivo Castelo Branco cita que a MG é uma bactéria difícil de cultivo, que exige métodos muito caros para fazer crescimento e estudar a sensibilidade. Para que se avalie com exatidão como está a situação no País, ele explica que “o ideal é que se façam estudos sentinelas para a gente ver periodicamente a sensibilidade desses agentes infecciosos”.

A MG é transmitida por meio de contato sexual sem preservativo, tendo consequências como infertilidade ou complicações durante a gestação caso não tratada. Casos mais graves da doença causada pela MG ainda não foram registrados. “A Mycoplasma é a terceira ou quarta causa de infecções sexualmente transmissíveis no Brasil”, elenca o especialista.

Ele afirma que qualquer bactéria pode se tornar uma superbactéria.

O que aumenta a resistência desse tipo de microorganismo aos tratamentos normalmente utilizados é o uso indiscriminado de antibióticos. “Alguns erros como usar antibióticos sem haver uma indicação precisa, não tratar pelo tempo necessário ou usar subdoses podem fazer com que as bactérias se tornem resistentes”, diz.

Ivo explica que a transmissão de Doenças Sexualmente Transmissíveis (DSTs) como a MG e sífilis tem se tornado mais frequente nos últimos tempos devido à falta de cuidado das pessoas com a prevenção. Atitudes como colocar o preservativo apenas no final do ato sexual podem proteger de uma gravidez, mas não das DSTs. A relação sexual com vários parceiros diferentes sem a utilização de proteção também aumenta os riscos de infecção.

A POTENCIAL SUPERBACTÉRIA

 

ALERTA

 

A Associação Britânica de Saúde Sexual e HIV acendeu a luz de alerta para a Mycoplasma genitalium. A infecção sexualmente transmissível se alastra pelo mundo e pode em dez anos tornar-se uma “superbactéria”. A contaminação ocorre em relações sexuais sem o uso de preservativo.

Por ser uma doença ainda pouco conhecida, nem sempre há testes para diagnóstico ou medicamentos específicos. As informações sobre a superbactéria estão sendo reunidas e analisadas.

Um estudo divulgado pela BASHH alerta que são necessárias medidas urgentes. Segundo a análise, os dados preocupam porque a não reação ao tratamento pode levar até 3 mil mulheres por ano a terem doença inflamatória pélvica (DIP) causada por MG e com risco de infertilidade.

SINTOMAS

A “superbactéria” provoca sintomas semelhantes aos da clamídia – doença sexualmente transmissível também por bactéria que provoca dores, inflamação pélvica e corrimento -, mas é mais resistente ao tratamento e, se não tratada, pode levar à infecção da órgãos reprodutivos e causar infertilidade.

No caso do homem, provoca ardência ao urinar e secreção, além de inflamação dos órgãos internos.

Nas mulheres, a superbactéria provoca dor ao urinar, inflamação de órgãos internos, secreção e infertilidade, em situações mais graves.

De acordo com especialistas, homens e mulheres correm risco de serem contaminados pela MG quando fazem sexo desprotegido, no caso, sem o uso de preservativo. A contaminação pode ocorrer por via oral, vaginal e anal.

TRATAMENTO

O estudo informa que 72% dos especialistas em saúde sexual disseram que é preciso mudar as práticas sexuais para se tornem mais seguras. No caso, recomendam um alerta das autoridades públicas sobre as ameaças do avanço da superbactéria.

O porta-voz da BASHH, Paddy Horner, afirmou que a MG é tratada com antibióticos, mas até recentemente não havia testes disponíveis para diagnosticar a doença. Segundo ele, houve situações de diagnóstico e tratamento equivocados.

Para elaboração do estudo, foram ouvidos 169 especialistas em saúde sexual que atuam no Reino Unido. Entre as recomendações apresentadas estão o melhor controle da resistência aos antibióticos, a busca pelo diagnóstico mais preciso, a redução de custos do tratamento e o acompanhamento. (Agência Brasil)

HELOISA VASCONCELOS – O POVO Online