Cagece estuda segunda usina de dessalinização na Grande Fortaleza

O MAR DO MUCURIPE é um dos locais estudados para receber a primeira usina CAMILA DE ALMEIDA

A Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cagece) estuda novos modelos de usinas de dessalinização. A empresa confirmou que possui interesse em diversificar a matriz hídrica da Região Metropolitana de Fortaleza (RMF) com um novo equipamento, mas que está em fase inicial de elaboração. O estudo da primeira usina já está sendo realizado pelas empresas espanholas Acciona e GS Inima e aguarda término para sair do papel. Em relação à nova matriz, a Cagece não revela os formatos estudados para o empreendimento.

Sobre a primeira usina de dessalinização, os consórcios que estão na disputa terão de apresentar os projetos até o dia 5 de maio. O novo sistema vai gerar inicialmente 1m³ (1.000 litros) de água por segundo. O incremento vai significar aumento de 12% na oferta hídrica, fornecendo a aproximadamente 720 mil pessoas, o equivalente a 27% da população da Capital. A expectativa é que a unidade fique em Fortaleza ou em região próxima ao Porto do Pecém.

Para definir formato, é preciso que o projeto esteja dentro de uma matriz de diagnóstico. Assim, são levados em consideração alguns fatores como o local que ela será implantada, a distância de bombeamento, etc. “São vários subprojetos para a formação de um projeto. No entanto, isso deve estar inserido no contexto do custo-benefício”, diz Képler França, coordenador do Laboratório de Referência Nacional em Dessalinização de Água da Universidade Federal de Campina Grande (PB).

Existem alguns processos físico-químicos para se extrair a água para o consumo humano. O primeiro deles é mais antigo, mas requer mais energia para a geração para obtenção da água desprovida de sais. “Dentro da concepção técnica, você evapora a água para ter a potabilidade. Gasta-se muita energia nesses processos, em especial, energia elétrica. Mas seu nível de potabilidade é altíssimo”, destaca.

O segundo processo, amplamente difundido no mundo, se dá por meio de membrana. Para conseguir o solvente dessalinizado, é exercida uma forte pressão sobre a água, de modo a deslocá-la em direção de membranas capazes de separar os sais e impurezas encontradas no volume original. É conhecido como osmose reversa.

“A membrana passa a ser um hiperfiltro, onde a água passa e retém os sais. São sistemas extremamente utilizados na Arábia Saudita, Estados Unidos e algumas ilhas do Pacífico onde a água doce é bem cara”, adianta. O custo é ocasionado pela limpeza e reposição das membranas osmóticas.

Sobre a primeira usina a ser implantada pela Cagece, com 1.000 litros de água por segundo, Képler explica que o equipamento não é considerado de grande porte. “Ela se enquadra de médio para baixo”, avalia.

O especialista explica que a saída para o convívio com a escassez de água no País é a busca de alternativas para o abastecimento. A barreira cultural do brasileiro com relação à água dessalinizada começa a ser substituída pela real necessidade do solvente universal.

“É uma questão de tempo os estados terem um sistema que os ajudem quando o índice pluviométrico estiver baixo, possibilitando o acesso à água e não sua falta”, complementa o coordenador.

DESVANTAGENS

O que fazer com o sal que sobra? A água do Golfo Pérsico, que tinha cerca de 35 mil partículas de sal por milhão (ppm), aumentou para 55 mil. É preciso ter cuidado com o sal que se joga no mar.

ESTUDOS A SEREM DESENVOLVIDOS PARA A PRIMEIRA UNIDADE DE DESSALINIZAÇÃO

Fonte: O POVO Online