Casos de arboviroses diminuem no Ceará em 2018

Após dois anos seguidos de registros acentuados de arboviroses, o Ceará apresenta uma queda nos casos de dengue, chikungunya e zika nos dois primeiros meses de 2018. A atenção agora está voltada às notificações, que precisam ser feitas de forma mais apurada. E à vigilância das ações de combate ao Aedes aegypti.

O primeiro boletim epidemiológico do ano, divulgado ontem pela Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa), dá conta de que, consideradas as primeiras sete semanas de 2017 e 2018, houve redução de 71% das confirmações de chikungunya (584 notificações, 122 confirmações e dois óbitos em 2018), de 70% nos casos de dengue (1.217 notificações, 174 confirmações e três óbitos) e de 66% nos de zika (24 casos notificados e dois confirmados).

O médico infectologista do Hospital São José, Keny Colares, destaca que essa redução pode ser confirmada nos atendimentos da unidade de saúde. “A previsão da vigilância epidemiológica no ano passado já era de que, após dois anos de muitos casos, seria possível que tivéssemos um ano mais calmo. São doenças cíclicas”, afirma o especialista. A explicação, além da ação efetiva de combate ao mosquito, é que grande parte da população infectada durante uma epidemia fica imune àquele vírus. “A dengue tem a variável do sorotipo, mas os outros vírus não. Então o número de pessoas suscetíveis para se infectar diminui”, complementa. A preocupação atual, conforme o médico, é sobre a volta da circulação do sorotipo 3 da dengue. A última epidemia desta tipologia foi no início dos anos 2000. “Depois de uma década, existirá muita gente que não teve contato, o que reduz a imunidade coletiva”, destaca. Keny Colares pondera ainda que é preciso cautela porque o número de casos pode aumentar nos meses seguintes. “Com a chikungunya, por exemplo, a suspeita é de que a pessoa que transmitiu para os primeiros casos tenha chegado em Fortaleza no final do segundo semestre de 2016, quando a epidemia foi menos intensa. Em 2017, veio com muito mais força”, relaciona, ressaltando a influência do período chuvoso.Em 2016, conforme o boletim, foram 44 mil notificações da doença; em 2017, foram 137 mil.

O documento apresentado pela Sesa alerta para a importância de que haja notificação de todos os casos suspeitos. Ressaltando a relevância do cenário epidemiológico das arboviroses. Conforme a Sesa, a realização do Levantamento Rápido de Índice para Aedes aegypti (LIRAa) gera indicadores entomológicos (que estudam a interação do mosquito com o meio) que facilitam a execução de ações contingenciais de prevenção. Em 2014, apenas 27% das cidades cearenses faziam o LIRAa. Ano passado, essa marca ultrapassou os 98%.

Fortaleza segue com o maior número de casos de arboviroses este ano. Foram 538 notificações de dengue, 236 de chikungunya e seis de zika, conforme o boletim.

MUTIRÃO CONTRA O AEDES AEGYPTI 

O Cuca Jangurussu recebeu ontem um mutirão contra o Aedes aegypti, organizado pela Secretaria Municipal da Saúde. O centro cultural é localizado no bairro de maior índice de notificações da Capital, com 68 pessoas diagnosticadas com suspeitas de dengue este ano. O dia contou com apresentações culturais, aula e exposição do ciclo evolutivo do mosquito.

SOROTIPO 3 DA DENGUE

A preocupação é de que o sorotipo, que circulou há mais de uma década, infecte quem ainda não foi exposto e não está imune.

Fonte: O POVO Online