Causa da morte de milhares de peixes no rio Cocó será investigada

 OS PEIXES MORTOS começaram a aparecer no rio Cocó no último 
fim de semana

Amônia, nitrito, sulfato, sulfeto, alumínio e coliformes fecais. Esses são alguns dos compostos químicos que podem ter causado a morte de milhares de peixes no rio Cocó. Amostras da água foram colhidas e serão analisadas e comparadas a análises dos três anos anteriores. Não é a primeira vez que há essa imensa mortandade de peixes. Não é novidade que as águas do Cocó são poluídas.

Foi pedido também análise do pescado para saber características sobre as mortes. Se ocorreram por envenenamento ou por falta de oxigênio. “Se houver alguma substância tóxica, toda essa área deverá ser interditada”, afirmou o gerente de Análise e Monitoramento da Superintendência Estadual do Meio Ambiente (Semace), Gustavo Gurgel.

Os peixes mortos começaram a aparecer no último fim de semana e, na segunda-feira, 8, uma grande quantidade se acumulou em trecho próximo à rua Conde Januário, no bairro Castelão. Conforme Gustavo, após a barragem no bairro Conjunto Palmeiras é possível encontrar a água turva, o odor e mais peixes mortos. “O que leva a crer que a contribuição de poluentes deve estar se iniciando nos canais afluentes”, disse Gustavo.

O gestor do Parque do Cocó, Paulo Lira, reconheceu que existem metais pesados no rio, entre eles chumbo e contaminantes como mercúrio. Ele explica que moradores do entorno acabam despejando resíduos sólidos nas margens. “Não tem segredo: a chuva termina levando para dentro do rio”, pondera. Ligações clandestinas de esgoto são o principal meio de poluição do recurso hídrico.

A mortandade de peixes é um problema cíclico, de acordo com o professor do curso de Ciências Biológicas da Universidade Estadual do Ceará (Uece), Oriel Herrera. “Estava há um tempo sem chover, mas com as chuvas dos últimos dias houve uma carga maior de água e a poluição que está no fundo do rio, sobe”, detalhou o professor. Ele informou ainda que outros animais também são vítima. “Muitos moluscos e crustáceos morrem, não podemos ver porque eles estão no fundo”, destacou.

A explicação sobre como os poluentes provocam a morte dos animais é conhecida: as microalgas acabam se alimentando dos poluentes existentes na água e então se multiplicam exageradamente. São algas tóxicas, de acordo com Oriel, e que podem causar malefícios à saúde humana. “A alta concentração de elementos pesados podem causar câncer, problemas estomacais e até neurológicos”, considerou. Isso caso haja contato direto com a água ou o consumo dos animais.

As análises feitas pela Semace deverão levar pelo menos cinco dias para apresentarem uma conclusão. Os peixes serão estudados pelo Instituto de Ciências do Mar (Labomar). “Esse problema do rio Cocó é crônico, desde a nascente até a foz. Ele é como uma coluna vertebral. Um eixo central, alimentado com águas de outros rios, mas que também estão na mesma situação. É um rio doente”, avaliou o professor. (colaborou Sara Oliveira).

Fonte: O POVO Online