Cenário de incertezas impacta na alta do dólar e do euro turismo

O cenário externo dos Estados Unidos tem melhorado e, somado à incerteza política do Brasil em ano eleitoral, faz o preço médio do dólar turismo ficar ainda mais elevado em Fortaleza. Ontem, o valor médio da moeda norte-americana fechou em R$ 3,87 nas casas de câmbio da Capital, podendo chegar a R$ 3,93 — um aumento de 2% na comparação com a cotação anterior, de R$ 3,85.

Mas o valor é para a compra feita com papel moeda. No cartão pré-pago, o preço médio do dólar já atinge uma média de R$ 4,10, podendo chegar a R$ 4,15. O euro também acompanha a tendência de alta e é encontrado na média de R$ 4,51 na venda em espécie e a R$ 4,76 no cartão.

No mercado de capitais, o dólar subiu 1,64% na venda, registrando R$ 3,7286, com os reflexos do oitavo dia de greve dos caminhoneiros. O feriado nos Estados Unidos também colaborou para a alta, com a baixa liquidez da moeda. A alta de ontem significou a maior variação desde 7 de dezembro passado, quando subiu 1,73%,

Helena Rodrigues, sócia da casa de câmbio La Moneta, não prevê um ano de grandes quedas nas cotações cambiais. Isso porque 2018 é um ano eleitoral. A dica, ela diz, é comprar aos poucos, em períodos de queda dos valores, para encontrar uma cotação média boa para o consumidor. “Neste ano está tudo diferente. Todo ano eleitoral tem muita variação. Apesar também de que o cenário externo influencia muito, com a recuperação da economia americana”, diz. Para Helena, a greve dos caminhoneiros não é fator que chega a afetar a variação cambial.

Eldair Melo, diretor-executivo na Finanq, avalia tendência de subida para a cotação dos câmbios. “O crescimento da economia dos Estados Unidos aumenta a inflação, e os juros do País valorizam o dólar. O euro acompanha. No Brasil, o Governo já deu previsão mais baixa para o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto), de 2,5% para 2,37%, para 2018. Se isso ocorrer, frente a esse aumento de preços da gasolina, a tendência é ter valor maior na cotação”, analisa.

Ele acrescenta que pelo menos o Governo tem mecanismos de controle da moeda para não afetar a inflação do País, com um colchão (reservas internacionais) de US$ 370 bilhões, não deixando o dólar subir demais, acima de R$ 4. “Estamos passando por um momento muito delicado de influências externa e interna. A gente não sabe a perspectiva do resultado da política brasileira até as eleições”, lembra.

Sobre a greve dos caminhoneiros, que afeta os preços ao consumidor, principalmente dos alimentos, Melo diz que não vê como o movimento pode afetar o câmbio. Ontem, o presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, negou que a paralisação possa apresentar impactos a longo prazo na inflação. “Acho que o impacto é temporário. O que importa para o Banco Central é o impacto dessa inflação ao longo do ano. Esses choques do dia a dia não são algo que influenciam na política monetária”, disse.

Com Agência Brasil – O POVO Online