Chuvas favorecem aumento de águas-vivas no litoral cearense

IGOR CAJAZEIRAS teve lesão provocada por contato com água-viva ao nadar na Praia de Iracema  FCO FONTENELE

A maior quantidade de águas-vivas no litoral cearense é favorecida pelas chuvas neste período até o mês de maio. O professor Marcelo de Oliveira Soares, do Instituto de Ciências do Mar (Labomar) da Universidade Federal do Ceará (UFC), explica que quando chove há mais nutrientes trazidos pelos rios que deságuam no mar. Como aumenta a disponibilidade de alimentos na água, muitos organismos se reproduzem nesta época, ampliando, assim, a presença de águas-vivas.

Por isso, banhistas devem redobrar a atenção para evitar o contato com o animal, que causa reação inflamatória. O estudante Igor Cajazeiras, 20, sofreu a “queimadura” nas costas enquanto nadava na tarde de sábado, 31, na Praia de Iracema. E ainda observou outras pessoas que tiveram lesões semelhantes nos braços, no pescoço e no rosto após toque com o animal no mar.

Transportada pelas ondas, a água-viva não ataca pessoas, explica Marcelo. “É um animal primitivo, não tem cérebro, mas tem sistema nervoso. Ele responde mecanicamente ao ser tocado”. A água-viva se alimenta de plâncton e possui sistema de defesa usado para capturar animais microscópicos, mas que pode afetar banhistas. “A água-viva em contato com a pele provoca uma reação inflamatória muito parecida com uma queimadura, mas, na verdade, é uma intoxicação provocada pela liberação de um veneno pelos nematocistos, que se situam nos tentáculos”, detalha a dermatologista Rose Guilhon. Segundo ela, a intensidade da inflamação depende do tamanho da área afetada e da idade da pessoa, pois crianças e idosos estão mais propensos a reações mais graves. Farmacêutica plantonista do Centro de Informação e Assistência Toxicológica (Ceatox) do Instituto Dr. José Frota (IJF), Karla Magalhães orienta que logo após o acidente deve ser aplicada compressa com água do mar no ponto de lesão para tirar fragmentos deixados pela água-viva. Em seguida, deve ser colocado um pano limpo com vinagre para neutralizar a toxina. As compressas devem ser feitas entre cinco e dez minutos. Nunca deve ser utilizada água doce, pois ela pode romper os fragmentos, espalhando mais veneno e agravando a intoxicação.

“Em geral, as intoxicações por água-viva se limitam ao local da exposição, com dor, ardor, coceira, inchaço e vermelhidão, podendo haver formação de bolhas”, explica. Esses sintomas se estendem por até 24 horas. Diante de reações alérgicas mais graves é preciso procurar a emergência médica mais próxima ou o Ceatox.

Após os primeiros socorros, o cuidado é para evitar agravar a lesão, principalmente se o paciente tiver histórico de alergia. “O aparecimento de manchas ou cicatrizes vai depender de como cada pessoa vai reagir, da sua intensidade, da profundidade e duração da lesão, como também da genética e estado nutricional de cada indivíduo”, esclarece Rose Guilhon. SERVIÇO Núcleo de Assistência Toxicológica do IJF Rua Barão do Rio Branco, 1816 – Centro (Fortaleza) Plantão de atendimento por telefone: 3255 5050

O QUE FAZER APÓS CONTATO COM ÁGUA-VIVA Sair o mais rapidamente possível da água. Não retirar os tentáculos da água-viva com as mãos desprotegidas. Removê-los cuidadosamente, sem friccionar, usando pinça ou mão enluvada, evitando descarga do veneno. Lavar com bastante água do mar fria. Pode-se usar bolsa de gelo envolta num pano. Nunca usar água doce, que pode romper os nematocistos por osmose, agravando o envenenamento. Também não usar substâncias como urina, refrigerantes ou álcool. Alternar a aplicação de água do mar com compressas de vinagre comum (ácido acético 5%). A água fria do mar alivia o ardor e o vinagre impede a liberação de mais veneno na pele. Em caso de reações alérgicas mais graves, como falta de ar, mal-estar, paralisia, delírio e convulsão, deve ser buscada a orientação médica mais próxima. Fonte: Dermatologista Rose Guilhon

Fonte: O POVO Online