Ciro critica “olhar tradicional” na política de segurança do País

O pré-candidato à Presidência, Ciro Gomes (PDT), esteve na noite desta terça-feira, 5, na Assembleia Legislativa do Ceará (AL-CE) falando sobre segurança pública. O ex-governador do Estado criticou o “olhar tradicional” nas políticas públicas na área que não vem tendo o efeito esperado. Ciro defende uma “olhar rebelde” que fuja ao padrão para melhor combater o crime organizado no País.
Abrindo as atividades do Seminário Internacional Sobre Segurança Pública, promovido pela a AL-CE, Ciro criticou políticas de segurança imediatistas que não projetam resultados em longo prazo e o discurso em que considera simplista vindo de parcela da política. “O povo está com medo e medo não é um bom conselheiro”. A fala vem após o senador Tasso Jereissati afirmar que o pré-candidato tucano ao Governo do Estado, general Guilherme Theophilo, tem “autoridade” para enfrentar a crise na segurança.
(Foto: Divulgação / AL-CE)
Na palestra, Ciro se usou dos dados do atlas da violência no Brasil, divulgada nesta terça-feira, 5, pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), que revela um aumento nas mortes de negros e pardos. O ex-ministro destacou a situação socioeconômica desses jovens e a vulnerabilidade desse público. Ciro deu como exemplo de política pública que os beneficiariam o programa Ceará Pacífico, do Governo do Estado. “O convencional não está resolvendo o problema (da insegurança), precisamos pensar fora da caixa tradicional”, disse.
Em crítica ao presidente Michel Temer, Ciro falou que a Emenda 95 que limita gastos também influi na falta de segurança, pois faltam investimentos em tecnologias de segurança que podem contribuir em ações como, por exemplo, defesa de fronteiras, tema citado pelo pré-candidato.
O pedetista comentou sobre a intervenção militar no Rio de Janeiro em que considera como mau uso das Forças Armadas no combate à violência urbana, “ocupando as favelas com tanques e fuzis, fazendo as forças armadas apontarem suas armas para os nacionais brasileiros”, disse. Apesar da critica, Ciro defende projetos conjuntos entre União, estados e municípios, fazendo valer o que foi acordado no Pacto Federativo, que segundo o político “vem sendo dilacerado” por falta de planejamento. Para o pedetista, no enfrentamento ao crime é preciso “mais tecnologia e investigação” e não tão somente “aparato”.
Mesa foi também foi composta por convidados de outros estados (Foto: Divulgação / AL-CE)
Discussões continuam
O Seminário Internacional de Segurança Pública segue até sexta-feira, 8, com palestras, debates e conferências que buscam desenvolver proposições de medidas e ações referentes a política de segurança pública. O presidente da AL-CE, Zezinho Albuquerque, destacou a importância das discussões pela problemática enfrentada no País. “Todo o Brasil passa por esse grande desafio que é a segurança pública”, falou.
Estiveram presentes n abertura do Seminário várias autoridades políticas, especialistas em segurança, secretários e representantes da academia. Entre eles, o vice-prefeito de Fortaleza, Moroni Torgan, o presidente do TJCE Glaydson Pontes, a secretária da Justiça no Estado, Socorro França, e o secretário da Segurança do Estado, André Costa.
A mesa de abertura também contou com a presença de convidados vindos de outros estados como o secretário da Segurança do Distrito Federal, Edval Novaes. Na programação do evento, ainda são previstas conferências do embaixador José Augusto Lindgren, do Ministério das Relações Exteriores, e com Raul Jungman, ministro extraordinário da Segurança Pública no Brasil, que encerra a programação falando sobre “a inteligência como ferramenta de prevenção e combate à violência: HUB da Segurança Pública no Ceará”.
Serviço
Seminário Internacional Sobre Segurança Pública
Quando: de 5 a 8 de junho
Onde: rua Barbosa de Freitas, 2.674 – prédio Anexo II da Assembleia Legislativa do Ceará
Fonte: O POVO Online