Clima de insegurança permanece 4 meses após torre ser implantada

Torre de observação do bairro Jangurussu

No próximo dia 28, serão quatro meses desde que a Prefeitura de Fortaleza implantou a primeira Célula de Proteção Comunitária da Capital, no bairro Jangurussu. No perímetro compreendido pelo equipamento, no entanto, clima de insegurança permanece e relatos de criminalidade ainda são ouvidos.
Dentre moradores e comerciantes da área, há quem diga que os assaltos diminuíram. Ou pelo menos que “se ouve falar menos” de roubos, principalmente na av. Castelo de Castro, onde a torre de observação está localizada.
O funcionamento da Célula acontece durante 24 horas, todos os dias da semana. O efetivo, segundo a Secretaria de Segurança Cidadã, é de 40 guardas municipais e 20 policiais militares. O mesmo desde a inauguração do equipamento.
“Faço muita caminhada à noite e a gente sempre via as pessoas se drogando, né? E agora a gente não vê mais isso”, diz uma moradora do bairro que pediu para não ser identificada. “A gente nunca se sente seguro, né? Segurança mesmo, meu fi, só no governo de Deus. Porque no governo dos homens: jamais!”
A moradora conta que todo sábado é dia de feira na região central do bairro, ao lado da Célula. “Teve um dia que o rapaz deixou a moto aqui na avenida e quando voltou da feira, não tava mais”, relata. Ela reclama que os guardas e policiais não circulam na feira. Diz também que, nas ruas, vê pouco policiamento.
A Prefeitura, no entanto, afirma que é feito patrulhamento a pé, de bicicleta, em motos e viaturas. Os três quarteirões mais próximos à Célula têm patrulhamento de bicicleta. Depois, equipes fazem a ronda de moto e em viaturas. Por outro lado, a unidade do bairro Goiabeiras, inaugurada nessa terça-feira, 19, não conta com patrulhamento a bicicleta.
O comerciante Wesley Soares, 21, diz que trabalha no Jangurussu desde os 16 anos. Para ele, pouco mudou após a instalação da torre de observação. “Sinceramente? A gente não vê polícia nas calçadas, nem na feira, onde os caras continuam roubando. Mas é um bairro bom, tem tudo aqui. Menos segurança”.
Moradores ouvidos pela reportagem relataram também assaltos recorrentes na esquina da av. Governador Leonel Brizola com Castelo de Castro, onde fica a Célula de Proteção. “Quando a gente para o carro nesse sinal, alguém encosta pedindo o celular”.
A Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) não disponibiliza balanço de segurança por bairro. Já a pasta da Segurança Cidadã estima dimuição de crimes na área após a instação da torre, mas ainda não há estudo oficial que aponte esse resultado.
Fonte: O POVO Online