Combates continuam apesar de “cessar-fogo” em Ghouta Oriental

População de Ghouta Oriental continua sujeita a bombardeios, mesmo com pausa determinada por Moscou

Trégua de cinco horas, determinada pela Rússia para a retirada de vítimas civis da área sitiada, é quebrada logo após entrar em vigor. Governo e rebeldes se acusam mutuamente.Lançamentos de mísseis e bombas de barril quebraram nesta terça-feira (27/02) a calma nos primeiros instantes da “pausa humanitária” em vigor na região de Ghouta Oriental, o principal reduto opositor nos arredores de Damasco, segundo a ONG Observatório Sírio de Direitos Humanos.

Três projéteis caíram no povoado de Harasta, enquanto um caiu em Duma, a maior cidade de Ghouta Oriental, e um outro numa região que separa ambas as localidades. Além disso, vários mísseis caíram na área de Mesraba, acrescentou o Observatório. A ONG afirmou também que aviões bombardearam vários pontos de Ghouta Oriental. Ao menos um deles foi identificado como pertencente ao governo sírio.

Ainda segundo o Observatório, uma criança foi morta e sete pessoas ficaram feridas durante bombardeiros do regime sírio em Jisreen, também na região de Ghouta Oriental.

Já a televisão oficial síria afirma que “grupos terroristas dispararam foguetes para evitar a saída dos civis da região”, prejudicando os esforços de retirada de pessoas através do corredor humanitário que as autoridades sírias afirmaram ter aberto.

O presidente russo, Vladimir Putin, – um dos principais aliados do regime sírio – ordenou nesta segunda-feira uma trégua humanitária a partir desta terça na região. O cessar-fogo, que o ministro russo da Defesa, Serguei Shoigu, vinculou diretamente à resolução aprovada no fim de semana pelo Conselho de Segurança da ONU, é planejado para vigorar diariamente, das 9h às 14h (horário local).

Desde 2013, o território sírio de Ghouta Oriental está sitiado pelas forças governamentais. Há cerca de uma semana, a região é alvo de uma ofensiva do regime sírio para recuperá-la das mãos dos rebeldes.

Rússia deve fazer valer influência

Para a população de Ghouta Oriental, a trégua pode ser a primeira oportunidade em dias para deixar os abrigos subterrâneos. Quase 400 mil pessoas estão sitiadas na área. De acordo com o Observatório Sírio de Direitos Humanos, mais de 550 civis foram mortos nos ataques aéreos em Ghouta Oriental na semana passada, quase um quarto deles, crianças.

De acordo com uma declaração do Ministério russo da Defesa, uma pausa semelhante deverá ser implementada também na área fronteiriça sul de Al-Tanf e em Rukban, perto da fronteira com a Jordânia.

Os EUA pediram ao governo em Moscou para fazer valer sua influência sobre a Síria e para pressionar pelo fim imediato da ofensiva síria em Ghouta Oriental. “A Rússia tem o poder de encerrar essas operações”, disse a porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, Heather Nauert. O governo dos EUA exigiu o fim imediato das ações militares e “acesso imediato para equipes humanitárias, para tratar os feridos e fornecer a assistência necessária”.

Exigência de implementação da resolução da ONU

As Nações Unidas saudaram o anúncio da Rússia, afirmando que cinco horas de cessar-fogo são “melhores que nenhuma hora”, segundo a porta-voz da ONU, Stéphane Dujarric. Ela afirmou que a ONU tentará enviar vans e equipes humanitárias para a área. Ao mesmo tempo, Dujarric pediu a implementação da resolução do Conselho de Segurança das Nações Unidas aprovada no final de semana e que demanda um cessar-fogo nacional de 30 dias.

O governo alemão também considera que o cessar-fogo restrito a determinados horários em Ghouta Oriental não é suficiente. De acordo com o porta-voz do ministro alemão do Exterior, Sigmar Gabriel, o político pediu “com vigor”, em uma conversa com seu colega russo, Serguei Lavrov, a implementação da resolução da ONU. “Uma pausa de cinco horas não pode ser mais do que um primeiro passo”, disse.

MD/afp/dpa/efe

—————-

A Deutsche Welle é a emissora internacional da Alemanha e produz jornalismo independente em 30 idiomas. Siga-nos no Facebook | Twitter | YouTube | WhatsApp | App

DW Brasil – O POVO Online