Comerciantes reclamam de queda de até 80% nas vendas por obras na Beira-Mar

AV. BEIRA MAR, na manhã de ontem: esgotos expostos e escavadeiras paradas

Um dos principais cartões-postais da Cidade, a avenida Beira-Mar se encontra com areia, escavadeiras, bloqueios na pista e, em alguns pontos, esgoto a céu aberto. Falta local para estacionamento de carros e passagem é incômoda para pedestres, que têm que andar em meio a poeira e tomar cuidado para não tropeçar nos buracos e falhas no calçamento causadas pelas obras. Toda essa situação tem atrapalhado o comércio nos arredores, desde os restaurantes até os vendedores ambulantes. Alguns comerciantes relatam perda de até 80% nas vendas devido à intervenção.

 As obras na avenida Beira-Mar foram iniciadas em agosto do ano passado e têm previsão de conclusão para agosto de 2020. O objetivo das intervenções é trazer melhorias urbanísticas e de mobilidade ao longo da via e construir um novo calçadão em toda a extensão da orla, compreendida no trecho entre a Praia do Meireles e a Enseada do Mucuripe. O projeto prevê obras em 66.704,38 m² de área, compreendendo a reforma da avenida com a construção de um novo calçadão, com três pavilhões multiusos, dotados de quiosques de alimentação e bebidas padronizados, além do reordenamento da feirinha de artesanato e da urbanização dos espigões das avenidas Desembargador Moreira e Rui Barbosa.

Estão previstas a construção de uma nova galeria de drenagem, bocas de lobo e calçadas e a instalação da nova pavimentação da via, com a substituição do asfalto por piso intertravado, que visa facilitar o escoamento da água e melhorar a sensação térmica da via. O orçamento é de cerca de R$ 40 milhões, com recursos provenientes do Banco de Desenvolvimento da América Latina (CAF).

O POVO passou ontem, 6, pela avenida. As obras começam pouco antes do Jardim Japonês e terminam antes do Mercado dos Peixes, trecho que já havia sido reformado. Entre as ruas José Napoleão e Pedro Natale Rossi havia uma grande poça de esgoto a céu aberto, causando mau cheiro. Escavadeiras estavam espalhadas no trecho em obras, mas nem em todos os pontos havia funcionários trabalhando por volta das 11 horas.

O gerente do restaurante Dom Churrasco, Antônio Pereira, reclama que o faturamento diminuiu em cerca de 40%, devido ao movimento, principalmente de turistas, ser bem menor. “O turista geralmente vem passear na orla e vem pra cá. Mas quebrado assim está um pouco difícil para a gente”, diz. Ele conta que situação durante a noite, quando normalmente teria maior número de clientes, é pior devido à falta de iluminação na via.

O comerciante João Correia Filho vende coco em barraca própria há 35 anos. Essa situação é a pior que já viu. O faturamento caiu em 80%, segundo ele. “Tem 40 anos que minha mãe está aqui, eu tenho 35, conheço de ponta a ponta, e nunca tinha visto isso aqui não”, lamenta. Ele conta que tem que fechar sempre, no máximo, às 21 horas, já que a pouca iluminação torna local perigoso e sem clientes.

Mau odor e a poeira são as principais reclamações da vendedora Adriana Monteiro, 34, que passa diariamente pela região. “Eu vejo o pessoal (turistas) falando ‘se eu soubesse que tava assim eu não vinha aqui’”, relata. “É uma vergonha, Fortaleza é uma cidade tão bonita e as pessoas vêm de fora só para conhecer e ver isso”, complementa sua amiga, a também vendedora Gisele Galvão.

A reportagem entrou em contato com a Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seinf), responsável pela obra, solicitando uma fonte para falar sobre o assunto. Em resposta, a assessoria enviou um release com informações já divulgadas no ano passado.

Fonte: O POVO Online