Como a semana começa em Fortaleza após sete dias de greve

MAURI MELO

Após sete dias de greve dos caminhoneiros, os efeitos das paralisações são sentidos em todos os setores da economia. O movimento deve chegar ao fim hoje, após o presidente Michel Temer (MDB) ter cedido às pressões da categoria. Mas a semana ainda inicia com instabilidade em todo o Brasil. Em Fortaleza, no caso do abastecimento de gasolina, etanol e diesel, cerca de 80% dos postos de combustível operam com os produtos nas bombas. É o que afirma Antônio José Costa, assessor de economia do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do Ceará (Sindipostos-CE).

“O abastecimento está voltando ao normal. Desde sábado os caminhões saíram para os postos. A reposição continua”, diz.

Segundo ele, mesmo que a greve não seja suspensa hoje, o estoque que chegou aos estabelecimentos atende Fortaleza até quarta-feira, 30. “Não teremos desabastecimento generalizado. Nossa expectativa é que tudo se normalize até sexta-feira”, observa. Na região do Cariri, no entanto, a situação preocupa. “Há dificuldade na região por causa dos bloqueios. O combustível vem de Suape, em Pernambuco. Tomamos medidas para regularizar a situação lá também”, garante.

A frota de ônibus de Fortaleza também deve operar sem redução nesta segunda-feira. O abastecimento dos veículos foi garantido no último sábado, de acordo com Dimas Barreira, presidente do Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Ceará (Sindiônibus). “Não teremos paralisação ou redução de frota na semana. O atual volume de combustível consegue atender à demanda, assim como o que temos estocado”, garante.

As rotas intermunicipais também se readequaram à greve que afetou o tráfego nas rodovias. A empresa Guanabara reduziu os horários de ônibus. “Tivemos uma redução de passageiros no sábado e no domingo, mas por conta do período em que o número de viagens é menor. Só podemos traçar um cenário do dia. Não temos projeção para esta semana”, garante Rodrigo Mont’alverne, gerente de marketing da companhia.

No Aeroporto de Fortaleza, a situação começa a melhorar. De acordo com a Fraport, na tarde de ontem, mais quatro carretas com combustível chegaram ao terminal. “Com este reabastecimento, a nova previsão é que as operações sigam até amanhã (hoje) à noite”, informou a concessionária.

Em relação ao transporte individual de passageiros, Vicente de Paula, presidente do Sindicato dos Taxistas do Estado do Ceará (Sinditaxi-CE), assegura que a frota, composta por 4.886 veículos, segue trabalhando na normalidade em Fortaleza. “Aproximadamente 60% dos táxis são movidos a GNV (Gás Natural Veicular). Não há risco de paralisação do sistema, considerando que os postos já estão voltando ao normal”, observa.

Antônio Evangelista, presidente da Associação dos Motoristas Privados Individuais de Passageiros (Ampip-CE), a paralisação dos caminhoneiros, com o consequente desabastecimento dos postos, fez com que 40% dos motoristas de aplicativos parassem em Fortaleza. “O serviço volta à normalidade durante a semana em razão de os postos estarem com combustível”, explica.

ESTADO E PREFEITURA REALIZAM REUNIÃO

O governador do Ceará, Camilo Santana (PT), e o prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio, estiveram reunidos ontem para garantir o abastecimento na Capital. O encontro ocorreu na central de monitoramento criada pelo Gabinete do Governador na Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS).

“Desde o início do movimento, há uma semana, determinei o total envolvimento das forças de segurança do Estado para garantir o pleno funcionamento dos serviços públicos e auxiliar no abastecimento de combustível da Capital e Interior. Somente ontem (sábado), nossos policiais, com apoio de órgãos da Prefeitura de Fortaleza, fizeram cerca de 150 escoltas de caminhões, além de desobstruir estradas em todo o Ceará”, disse o governador Camilo Santana.

Além dos Batalhões de Polícia de Choque (BPChoque), de Policiamento de Rondas e Ações Intensivas e Ostensivas (BPRaio), de Policia Rodoviária Estadual (BPRE) e de Policiamento Turístico (BPTur), da Força Tática (FT) e Regimento de Polícia Montada (RPMont) da Polícia Militar, da Polícia Civil, do Corpo de Bombeiros Militar – vinculadas da SSPDS.

OUTROS SERVIÇOS

HOSPITAIS PARTICULARES

Cirurgias eletivas remarcadas

Diretor do Hospital São Carlos, o cirurgião Francisco Monteiro destaca que a instituição mantém cirurgias eletivas até amanhã, 29, mas não se sabe, ao certo, o que ocorrerá depois. “Se a paralisação se prolongar pode ser que tenhamos que suspender as cirurgias eletivas, que podem ser reprogramadas”, pondera. “Fizemos revisão do abastecimento de oxigênio e gás butano e tem apenas alguns medicamentos com estoque reduzido”, conta, ainda sem saber precisar quais.

Médico ouvido pelo O POVO e que preferiu não se identificar informou que o Hospital Monte Klinikum já suspendeu as eletivas para garantir insumos para as cirurgias de emergência. A reportagem entrou em contato com a assessoria de imprensa da instituição, mas até o fechamento desta página não houve retorno confirmando a situação.

FARMÁCIAS

Sindicato indica falta de medicamentos

Diretor do Sindicato do Comércio Varejista dos Produtos Farmacêuticos do Estado do Ceará, Maurício Filizola afirmou que a situação está “delicada”, especialmente fora da Capital. “Nosso abastecimento no Interior é quase diário e já tem muitos medicamentos, principalmente os controlados, que já estão em falta”, alertou. “Em Fortaleza, tem centros de distribuição e as farmácias de médio e pequeno portes estão conseguindo se abastecer”, pondera.

SEGURANÇA

Serviço “segue normal”, diz governo

Mesmo diante da crise no abastecimento de combustível, a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social informou que “segue tudo normal” em relação aos veículos da pasta e suas vinculadas, que inclui perícia forense e bombeiros. A Secretaria Municipal da Segurança Cidadã (Sesec) também garante normalidade das ações na Capital.

TELECOMUNICAÇÕES

Manutenção em risco

As prestadoras de telecomunicações pediram neste domingo, 27, à Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) prioridade para o abastecimento da frota de veículos utilizados na manutenção das redes. Os estoques de combustível estariam “praticamente zerados”, o que poderia levar à suspensão dos serviços de telefone e internet para o consumidor individual e para atividades essenciais, como hospitais, bombeiros e segurança pública.

Fonte: O POVO Online