Como a sobretaxa de Trump ao aço atinge o Ceará

VIA PORTO DO PECÉM as placas de aço da CSP são exportadas EVILÁZIO BEZERRA

Os Estados Unidos oficializaram a sobretaxa de 25% do aço e 10% ao alumínio importados de outros países. A medida foi anunciada ontem pelo presidente Donald Trump e prejudica em especial o Brasil, segundo maior exportador de aço para os EUA. O Ceará também entra nessa briga, com o temor de que sejam atingidos empregos, balança comercial e preço final ao consumidor de produtos que levam os materiais na composição.

Em 2018, 26% da exportação de ferro e aço do Estado foi para os Estados Unidos. Nos primeiros dois meses do ano, o setor já exportou US$ 181,2 milhões, sendo US$ 47 milhões para os EUA. O Estado ocupa a 8ª posição nas exportações de ferro e aço no País, com a Companhia Siderúgica do Pecém (CSP) liderando no Ceará, esta com mais da metade do que é exportado aqui.

Ano passado, os norte-americanos compraram do Ceará US$ 421 milhões, sendo US$ 156 milhões em ferro e aço. Em 2017, mais de 52% das exportações do Estado foram ligadas ao segmento de placas. Portanto, não são apenas números, mas há impacto ainda não calculado para o Estado.

Vanessa Pontes, superintendente do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico no Estado do Ceará (Simec), avalia que a sobretaxa onera os exportadores de aço para os EUA e gera desigualdade competitiva em favor das siderúrgicas norte-americanas.

As usinas brasileiras já fizeram três reajustes no início de 2018, elevando em mais de 30% o preço do aço no mercado nacional, atingindo o consumidor. “As usinas não podem gerar mais aumentos, nem querer tirar o prejuízo no setor, pois ele vai se preparar para importar, no sentido também de se defender de forma clara, ampla e aberta, já que não tem condições de criar taxas. Vai comprar de onde é mais barato, importando chapa de fora do País e, dessa maneira, ocasionar uma venda menor das usinas para o próprio mercado interno”, diz.

Além da diminuição de receitas na exportação, o economista Alcântara Macedo prevê que a medida pode diminuir a quantidade de empregos no setor. “Eu acredito que, no longo prazo, até médio prazo, isso possa se reverter porque talvez a produção americana não atende o próprio mercado deles, mas enquanto isso não acontece, em três ou quatro anos, já deixa um rastro nocivo de faturamento para nós do Ceará e do Brasil”, afirma.

O Instituto Aço Brasil acrescenta que a medida prejudica as indústrias estadunidenses. “O bloqueio das exportações brasileiras para o mercado norte-americano ocasionará dano significativo não só para as nossas empresas, mas também para as norte-americanas que não tem autossuficiência no seu abastecimento”, diz em nota.

O POVO procurou a CSP, que exporta cerca de 11% da sua produção para os Estados Unidos, mas a empresa preferiu não se pronunciar.

Colaborou Lívia Priscilla

COMO FICOU NA BOLSA

Diante da taxação de 25%, as siderúrgicas com ações negociadas na Bolsa de São Paulo, a B3, lideraram as perdas do Ibovespa e perderam, só ontem, R$ 1,78 bilhão em valor de mercado.

Fonte: O POVO Online