Conta de luz vai pesar mais no bolso do consumidor cearense em maio

Conta de luz vai pesar mais no bolso do consumidor cearense em maio

Não é somente o reajuste tarifário médio de 8,95% que vai pesar na conta de luz do consumidor cearense a partir deste mês. A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) também acionou a ‘bandeira vermelha’ em todo o País, em função do baixo nível dos reservatórios hídricos e início da estação seca. Com isso, ao longo do mês de maio, a conta de energia terá uma taxa adicional de R$ 4,169 para cada 100 kWh consumidos.

Em abril, as faturas de energia foram fechadas com bandeira amarela, o que representou R$ 1,34 a mais a cada 100 kWh. De acordo com a Aneel, o “agravamento” da bandeira é necessário porque, com o início da estação seca, o cenário sinaliza patamar desfavorável de produção de eletricidade. Ou seja, com menos água armazenada disponível para ser usada pelas hidrelétricas, maior será a necessidade de acionamento do parque termelétrico, que possui um custo de produção maior.

“Sem dúvida, será um peso considerável no orçamento do consumidor, que já se encontra em uma situação muito difícil em função da pandemia, e (o aumento é) bem acima da inflação acumulada no período que foi 6,10%”, explica o consultor em energia da Federação das Indústrias do Ceará (Fiec), Jurandir Picanço.

Ele explica que, na prática, a forma como esses aumentos se traduzem na conta depende muito também do perfil de consumo. Isso porque, apesar do reajuste da tarifa de energia em 2021 ter sido, em média, de 8,95%, para os clientes de baixa tensão esse percentual foi de 8,54%. Já o percentual para os consumidores residenciais foi de 7,55%, enquanto que para os clientes de média e alta tensão, em geral indústrias e grandes comércios, o índice aprovado foi de 10,21%.

Ou seja, um consumidor residencial de baixa renda, com consumo entre 31 a 100 kWh, e que na bandeira amarela tinha a conta de luz calculada a partir de uma tarifa de transmissão estipulada em R$ 0,35677 por Kw/h, em maio, com a bandeira vermelha em vigor, terá uma tarifa de R$ 0,45477 por kw/h. Já o cliente residencial normal terá a tarifa elevada, nesta mesma situação, de R$ 0,61564 por kw/h para R$ 0,71364 por kw/h. Picanço pondera que, apesar do impacto elevado, essa conta poderia ficar muito maior se a Aneel não tivesse feito ajustes na base de cálculo dos reajustes tarifários deste ano. A própria Enel informou que o reajuste médio foi cerca de 50% menor do que estava previsto anteriormente.

“É preciso reconhecer que a Aneel adotou várias medidas para atenuar esse impacto e, para sorte dos consumidores, havia um crédito de imposto que tinha sido cobrado a mais em anos anteriores e que deveria ser devolvido agora. Esse recurso foi usado para suavizar a conta”.

O economista, Luiz Trotta, vice-presidente do Instituto Brasileiro dos Executivos de Finanças (Ibef), reforça, no entanto, que os gastos com conta de luz são muito significativos no orçamento familiar. “E ele sofre em várias frentes, isso porque isso acaba influenciando a inflação e os preços de produtos produzidos pela indústria, por exemplo. Ou seja, tudo acaba ficando mais caro.”

Diante deste cenário, ele diz que não há muitas alternativas ao consumidor, no curto prazo, a não ser tentar reduzir o consumo de energia no período. “As bandeiras são uma sinalização para mudança de hábitos domésticos. E ai, vão desde aquelas dicas mais usuais como evitar deixar a geladeira aberta por muito tempo, não usar ferro de passar e máquina de lavar de forma muito fracionada, como até mesmo avaliar a possibilidade de gastar um pouco mais para fazer a troca de eletrodomésticos com maior eficiência energética e que consomem menos energia.”

Na casa da auxiliar administrativa, Patrícia Lima, de 37 anos, muitos hábitos já vinham sendo revistos para tentar reduzir o consumo, mas, diante da expectativa de mais uma alta, algumas medidas foram radicalizadas. Ela resolveu, por exemplo, tirar as lâmpadas dos cômodos que menos utiliza; trocou o ar condicionado pelo ventilador; passou a programar horários para ligar na tomada equipamentos como televisão, computador e microondas; e decidiu que vai lavar a roupa na máquina apenas duas vezes no mês.

“Todos os aparelhos que eu puder manter fora da tomada, vou deixar. Estou fazendo de tudo para economizar porque a conta de luz tem sido um baque muito grande. Esses aumentos são de um absurdo sem tamanho, ainda mais em plena pandemia.”

Dicas para economizar energia em casa

1. Aproveite a luz natural e abra janelas e cortinas durante o dia. Para paredes e tetos, dê preferência às cores claras, que refletem melhor a luminosidade.

2. Troque lâmpadas incandescentes por fluorescentes ou LED, que consomem de 60% a 80% menos energia.

3. Não abra a porta da geladeira desnecessariamente. Verifique se a borracha de vedação da porta está cumprindo sua função e nunca utilize a parte traseira do equipamento para secar
roupas ou sapatos.

4. Evite usar o chuveiro elétrico ou escolha um horário fixo para tomar banho e não consumir em excesso.

5. Ao comprar um eletrodoméstico, opte por aqueles com melhor desempenho energético. Procure por aparelhos com o Selo Procel, que tem por objetivo orientar o consumidor no ato da compra, indicando os produtos que apresentam os melhores níveis de
eficiência energética dentro
de cada categoria.

6. Não deixe aparelhos ligados sem que haja alguém usando. No caso das TV, programe sempre o timer na hora de dormir (desligamento automático).

7. No caso de computadores e celulares, somente deixe carregando quando realmente for necessário. Quando estiver totalmente carregado, retire o carregador da tomada.
E, se for fazer pequenas pausas, desligue o monitor do computador, já que ele é responsável por cerca de 70% do consumo de energia do equipamento.

8. Ao usar o ferro de passar ou a máquina de lavar, dois dos campeões de consumo de energia, evite fazer isso de forma fracionada.

Fonte: Enel Ceará

FONTE: O POVO ONLINE