Distância dificulta aumento de cruzeiros em Fortaleza

A distância é um dos principais empecilhos para que o turista cruzeirista nacional aporte em Fortaleza. Os navios de passageiros que percorrem a costa brasileira, geralmente, ficam entre oito e nove dias. Partem dos portos de Santos e Rio de Janeiro e chegam, no máximo, até Maceió. Mas é possível virar essa situação.
Assim aposta Marco Ferraz, presidente da Cruise Line Internacional Association Brasil (CLIA-Brasil), conhecida como associação internacional de navios de cruzeiro. “Pode-se pensar, no longo prazo, em roteiros maiores para Fortaleza, embarcando/desembarcando em Santos e no Rio de Janeiro. Um navio poderia fazer também um roteiro até Ilhéus (Bahia), além de seguir para o outro lado da costa até o Amazonas. É algo para o futuro e que depende do convencimento dos associados”, destaca. Na atual temporada de cruzeiros, oito navios de “passagem” atracaram no Porto do Mucuripe, enquanto apenas um de cabotagem – navegação feita pela costa – aportou na Cidade.
O outro aspecto reside na logística aérea. “Um navio com dois mil passageiros precisa de 12 aviões para ficar cheio. Os voos da Air France/KLM e a expansão da operação interna da Gol  facilitam essa questão. É a fórmula de Miami. As pessoas chegariam, permanecem antes de o navio sair e depois voltam para a Capital”, explica.
A dragagem do Porto do Mucuripe pode aumentar a quantidade de escalas para futuros navios. No entanto, para 2018, a situação não deve se alterar. “Não teremos mudanças no que foi programado (nove navios). As empresas fazem o planejamento com antecedência. O que discutimos hoje só terá efeito em 2020. Não é algo imediato”, esclarece.
Marco reforça a necessidade de Fortaleza enxergar o turismo dos cruzeiros como prioritário. “Um cruzeirista gera impacto de R$ 559 na economia local ao desembarcar em uma cidade. A cada 15, geramos um emprego no País no segmento. Se considerarmos 100 mil desses turistas, esse número atinge quase R$ 56 milhões”, avalia.
Em relação ao turismo de negócios, impactado pela queda de movimento com a crise econômica, as atividades começam a retornar ao patamar anterior. Para Camila Moreti, gerente de Produto da Reed Exibitions Alcantara Machado, organizadora do Equipotel, a realização do evento em Fortaleza, no Centro de Eventos, reflete esse crescimento.
Junto ao Congresso Nacional de Hotéis (Conotel), a feira regional do Equipotel complementará uma das principais atividades da cadeia da hospitalidade e de serviços alimentares e ocorre a partir desta quarta-feira, 16, e vai até sexta-feira, 18. A expectativa é que 5 mil pessoas circulem na Capital, e que o evento exponha 100 marcas.
“O tíquete médio do turismo de negócios é de R$ 500 a R$ 600 por dia, por pessoa. O turismo de negócios deixa 4 vezes mais por dia. Porque você tem os eventos de celebrar, alugar espaço, buffet, cinegrafia. Turismo de lazer não contrata essa estrutura”, avalia Camila.
Dentre os gargalos a serem resolvidos para o turismo voltado a negócio deslanchar estão os desafios de enfrentar aplicativos como o Airbnb, a malha aérea em termos de quantidade de voos e preços e a capacitação dos brasileiros, pois muitos ainda não falam inglês. “Cancun recebe 22 milhões de turistas por ano. O Brasil não consegue nem 5 milhões. A gente precisa se estruturar “melhor”, afirma.
Fonte: O POVO Online