É tempo de ventos fortes e de crises alérgicas

EM AGOSTO a velocidade dos ventos aumenta, mexendo com rotina na praia Evilázio Bezerra

Neste período do ano, em Fortaleza, pescador cauteloso não entra no mar. Com o fim das chuvas, os ventos quase dobram de velocidade e passam de uma média de 17 km/h para até 50 km/h. “As embarcações motorizadas ou à vela sentem muito o impacto do aumento da velocidade dos ventos. E o pescador diminui o trabalho e impacta na produção. Tem uns que ainda se arriscam”, conta o presidente da Colônia de Pescadores Z-8, Possidônio Soares.

Conhecido como período dos ventos, o fenômeno segue até o fim de outubro, segundo a supervisora do Núcleo de Meteorologia da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme), Meyre Sakamoto. Após o fim da quadra chuvosa, aponta ela, quando já começa o segundo semestre, ocorre que o centro de alta pressão atmosférica se encontra sobre o Oceano Atlântico. “Ele acaba se aproximando do continente e isso ocorre naturalmente. Com essa proximidade, a gente percebe a alteração dos ventos, que ficam em cerca de 30 km/h, alcançando picos em rajadas de 50 km/h”, explica.

Meyre Sakamoto diz que não tem horário: os ventos acontecem durante todo o dia. A sensação térmica, normalmente mais baixa nesta época, é que dá a ideia, segundo ela, de que os ventos são mais fortes no início da manhã ou a partir do fim da tarde.

A pneumologista Valéria Góes, diretora da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Ceará (UFC), afirma que pessoas com rinite e sinusite são as que mais sofrem nesta época do ano. Não bastassem os ventos, “as alergias ficam mais intensas com a floração do caju, em setembro”.

O médico otorrinolaringologista Marcos Rabelo, professor do Departamento de Cirurgia da UFC, ressalta que a umidade do ar, nesta época do ano, está mais baixa e, portanto, o ambiente fica mais seco.

Ele alerta que, para evitar manifestações alérgicas neste período, é importante, entre outras medidas, beber muita água.

A lavagem das vias aéreas com soro fisiológico é necessária não somente para quem tem alergias, aponta o professor. Esse cuidado deve ser feito em pessoas de todas as idades, diariamente, espirrando uma seringa de soro fisiológico em cada narina.

Valéria Góes também indica combater o contato com poeira e pólen fazendo a limpeza dos ambientes com panos úmidos ou aspirador de pó, em vez de varrição. Além de trocar a roupa de cama com frequência pelo menos semanal e evitar que animais de estimação subam na cama, é importante deixar o sol entrar nos ambientes e não usar produtos de limpeza com exagero.

São justamente as rajadas de vento que aumentam o trabalho de Marcos dos Santos, 41. Gari, de pá na mão, ele calcula recolher, deste mês até outubro, o triplo de carradas de areia habituais no calçadão do Aterro da Praia de Iracema. Recolhe num carrinho de mão e joga na praia, num movimento que parece infindável. “Às vezes, dá é raiva de tanto que venta. E amanhã vai estar tudo do mesmo jeito, cheio de areia de novo”. (Angélica Feitosa)

Fonte: O POVO Online