Edifício Andréa: chega a seis o número de mortes confirmadas

Terceiro dia de buscas nos escombros do edifício Andréa. Bombeiros e voluntários trabalham incessantemente na busca de sobreviventes. (Foto: Júlio Caesar/O POVO)

Quatro corpos foram retirados ontem dos escombros do Edifício Andréa. Nayara Pinho e Gildasio Holanda, filha e pai, foram resgatados sem vida ao longo do dia. À noite, Rosane Marques de Menezes e Maria da Penha Bezerril Cavalcante. Esta última foi a segunda pessoa cujo óbito foi confirmado pelos Bombeiros, mas permanecia sob os destroços do prédio que tombou na última terça-feira, 15.

A esperança que tomou a equipe que trabalhava nas buscas na noite de quarta-feira, 16, ao perceber o barulho que sugeria a possibilidade de ainda haver algum sobrevivente, não se confirmou. O coronel Luís Eduardo Soares de Holanda, comandante do Corpo de Bombeiros, explicou que o procedimento de escuta observado no campo de buscas é comum em situações de resgate. “Qualquer ruído que tenha na estrutura, a gente para e é feito absoluto silêncio para que a gente possa escutar esse ruído”. No entanto, o som identificado não foi ouvido novamente, sendo assim descartada a possibilidade de alguém ter tentado se comunicar sob a pilha de concreto.

O corpo de Rosane Marques de Menezes, 56, foi retirado por volta das 21 horas. Foi o sexto óbito confirmado. Sua mãe, Izaura, já havia sido encontrada morta na quarta-feira. Seu pai, Vicente de Paula, estava entre os desaparecidos até o início da madrugada de hoje.

O corpo de Nayara Pinho Silveira, 31, foi localizado no início da tarde de ontem. Segundo o comandante Holanda, os boatos de que a vítima teria sido encontrada ainda viva não procediam. “A gente sequer tinha visualização da Nayara ontem à noite. A primeira visualização dela se deu hoje pela manhã. A gente fez, então, todo o trabalho de escavação, mas ela já estava sem vida”, explicou. Pela manhã, o corpo do pai de Nayara havia sido encontrado. Antônio Gildasio Holanda Silva, 60, foi retirado por volta das 7 horas.

De acordo com a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), a identificação foi possível por meio da necropapiloscopia, que é realizada por meio da coleta da impressão digital do corpo e comparação com o documento pessoal. Gildasio e a filha residiam há pouco tempo no apartamento 301 do prédio. Viúvo recentemente, decidiu morar com a filha psicóloga.

O balanço após o 3º dia de buscas foi de sete pessoas resgatadas com vida e outras seis encontradas mortas. Os trabalhos nesta quinta-feira foram concentrados nas áreas onde os escombros dos apartamentos 302 e 501 estavam localizados.

Apesar de passados quase três dias completos do acidente, a expectativa de encontrar alguém com vida ainda existe. As informações coletadas por meio de equipamentos e cães farejadores estão sendo utilizadas para traçar estratégias de aproximação. “Pelo nosso estudo de situação, bate com o que os nossos cães, drones e câmeras térmicas indicaram. Estamos procurando pessoas que podem sim estar vivas”, destaca o comandante.

“Em locais onde há sinalização de que possa haver vítimas, a gente faz todo um deslocamento de material de forma manual e com ferramentas manuais. Pontualmente, usamos maquinário em locais que não vão comprometer a estrutura da cena, nem a segurança do bombeiro, como forma de agilizar as intervenções. Uma intervenção feita com maquinário em 30 minutos pode durar horas manualmente”, afirma.

Cerca de 500 pessoas estão envolvidas na força-tarefa que, desde a última terça-feira, 15, vem resgatando as vítimas do desabamento. (Com informações de Alexia Vieira, Germana Pinheiro, Ítalo Cosme, Izadora Paula, Jéssika Sisnando, Lucas Braga, Neto Ribeiro, Rubens Rodrigues e Sílvia Bessa)

Edifício Andréa: lista de vítimas após terceiro dia de buscas

Mortes confirmadas

Frederick Santana dos Santos

O entregador de água, de 30 anos, foi a primeira vítima a ter o corpo retirado dos escombros, por volta das 23 horas do dia do desabamento. Ele estava na calçada do mercadinho onde trabalhava, em frente ao edifício Andréa.

Maria da Penha Bezerril Cavalcante

Aos 81 anos, foi a segunda pessoa cujo óbito foi confirmado pelos Bombeiros, mas que permanecia sob os destroços do prédio. Somente ontem, por volta das 19 horas, o corpo foi resgatado.

Izaura Marques Menezes

A aposentada, de 81 anos, era avó de Fernando Marques, a primeira pessoa resgatada com vida dos escombros. Era moradora do apartamento 501.

Antônio Gildásio Holanda Silveira

O corpo do homem de 60 anos foi retirado por volta das 7 horas desta quinta-feira, 17. Morava com a filha.

Nayara Pinho Silveira

A psicóloga, de 31 anos, era filha de Antônio Gildásio. Seu corpo foi retirado dos escombros por volta do meio-dia de ontem.

Rosane Marques de Menezes

O corpo da filha de Izaura, de 56 anos, foi retirado dos escombros às 21h10min, de ontem. Ela era mãe de Fernando.

Resgatados com vida

Cleide Maria da Cruz Carvalho

A mulher de 60 anos sofreu uma fratura exposta na perna direita. Segue internada no IJF II com quadro clínico estável. Ela era diarista na casa de Maria da Penha.

Gilson Moreira Gomes

O homem de 53 anos estava no mercadinho em frente ao edifício e sofreu fraturas nas duas pernas. Também segue internado no IJF II.

Francisco Rodrigues Alves

O porteiro do edifício Andréa, de 59 anos, teve fratura fechada no braço. Tem cirurgia marcada para hoje.

Maria Antônia Peixoto

A moradora de 72 anos sofreu traumatismo craniano grave e trauma torácico. O caso segue sendo o mais grave entre os sobreviventes.

João Ycaro Coelho

O homem de 35 anos teve escoriações leves e já teve alta.

Fernando Marques

O rapaz, de 20 anos, é filho de Rosane e neto de Izaura, que não sobreviveram ao desastre.

Davi Sampaio

O universitário que enviou foto para os pais enquanto estava debaixo dos escombros teve leves escoriações.

Desaparecidos

Vicente de Paula de Menezes

Também era morador do apartamento 501. O aposentado de 87 anos era casado com Izaura e pai de Rosane.

Maria das Graças Rodrigues

A mulher de 53 anos era síndica do condomínio e estava no térreo no momento do desabamento, acompanhando a reforma.

Ainda há outras duas pessoas desaparecidas cujos nomes não foram divulgados.

FONTE: O POVO ONLINE