Efeitos da greve nos produtos

CONSUMIDOR deve redobrar cuidados com qualidade dos produtos no pós-greve DIVULGAÇÃO

A greve de caminhoneiros chega hoje ao 11º dia e ainda traz repercussões. Uma discussão que merece atenção é a qualidade dos produtos em transporte paralisados. Fatores como tempo, exposição ao calor ou mesmo validade causaram alterações em alimentos mais perecíveis, principalmente carnes, laticínios, frutas e medicamentos.

Neste momento de retorno de produtos às prateleiras, consumidores devem redobrar a atenção.

Odálio Girão, analista de mercado da Centrais de Abastecimento do Ceará (Ceasa), estima que centenas de toneladas de frutas foram perdidas. Conforme ele, para garantir a segurança dos alimentos, a Ceasa conta com agrônomos que fiscalizam a qualidade.

No Estado, os laticínios foram impactados. “Existe temperatura correta e tempo de transporte. Há um tanque isotérmico e tem um prazo para chegar na indústria para pasteurização”, afirma Flávio Saboya, presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Ceará (Faec).

No caso dos medicamentos, o cuidado é semelhante. “Tem uma temperatura máxima para conservação e integridade desses produtos. Se deixa o caminhão parado no sol, a carga vai sofrer uma alteração de temperatura e pode modificar propriedades”, diz.

Lianna Campos, articuladora de vigilância sanitária da Agência de Fiscalização de Fortaleza (Agefis) afirma que não houve mudanças nas inspeções com a greve. Conforme ela, o controle segue o cronograma diário tanto para produtos alimentícios como farmacêuticos. O serviço ainda fiscaliza restaurantes, bares, supermercados, farmácias etc. Ela reforça que no pós-greve a população deve estar atenta a produtos.

Conforme o médico infectologista Robério Leite, o consumo de produtos com qualidade comprometida pode causar infecções intestinais e doenças diarreicas. O POVO procurou a Agência Nacional de Vigilância Sanitária que não informou plano nacional diante do risco sanitário. Já a Vigilância Sanitária do Ceará afirmou que a fiscalização é de responsabilidade da Prefeitura e que poderia dar apoio se fosse solicitada, o que não ocorreu, conforme a pasta. Locais como Rio de Janeiro, Santa Catarina e Paraná realizaram força-tarefa para reduzir efeitos na qualidade.

Fonte: O POVO Online