Embarque pela porta da frente dos ônibus provoca reclamações em Fortaleza

Apesar da modificação do local de embarque e desembarque nos ônibus parecer simples, alguns passageiros e motoristas continuam tendo dificuldade de se acostumar com o novo modelo. Usuários reclamam, por exemplo, que os condutores dos coletivos não esperam todos descerem pela porta traseira no local das paradas. Alguns acabam impressados. Passageiros precisam gritar para avisar que pessoas ainda irão sair do ônibus.

O embarque pela dianteira já foi implantado em 187 linhas de ônibus, cobrindo 1.095 coletivos da frota. De acordo com a Etufor, o período de Carnaval, quando menos ônibus rodam pelas ruas da Capital, será aproveitado para alterações em mais linhas.

A enfermeira Cláudia Rodrigues, 32, afirma que se adaptou de forma rápida à mudança, mas reconhece que não foi assim para todas as pessoas. Para ela, faltou informação para a população. Somente as placas avisando que a entrada agora aconteceria pela dianteira não são suficientes. Cláudia acha que mais ações educativas eram necessárias para acabar com a confusão. Entretanto, de acordo com o coordenador de planejamento da Etufor, Miguel Guimarães, já existiam micro-ônibus e topiques que faziam o desembarque pela porta traseira e a população utilizava os meios normalmente. “Não era para ter essa confusão toda”, afirma.

A mudança do local de embarque e desembarque também vem de uma questão estrutural. Conforme o coordenador, o chassi do ônibus sofria com a quantidade de pessoas que se concentravam na parte dianteira, sobrecarregando as duas rodas da frente. Com a alteração, os indivíduos se espalham mais pelo coletivo e o peso maior fica na parte de trás, onde existem quatro rodas que comportam o peso dos passageiros. Além disso, Miguel diz que Fortaleza era a única cidade do Brasil a ter ônibus que embarcam pela porta de trás. A previsão é que toda a frota seja alterada até o dia 31 de março deste ano. 

A segurança dos passageiros é outra pauta levantada pelos usuários. “Já vi mais de 3 vezes pessoas sendo imprensadas pela porta traseira do ônibus porque o motorista não vê que elas ainda estão descendo”, conta Amanda dos Santos, 20. A jovem vende comida em uma parada de ônibus na avenida Domingos Olímpio e sempre presencia o descer e subir de passageiros. Ela conta que, além da confusão das pessoas, o trânsito também fica prejudicado na região. A vendedora atribui isso ao pequeno espaço da frente do coletivo destinado à subida dos passageiros, que ficam do lado de fora esperando o momento de entrar. Segundo ela, quem mais sofre são idosos.

Miguel reconhece que os motoristas de ônibus e os cobradores estão passando pelo processo de adaptação juntamente com os usuários. Segundo ele, os trabalhadores estão sendo treinados com cursos capacitantes, em parceria com o Sest Senat. Eles são orientados para sempre tomar cuidado com a entrada e saída de passageiros. Ele afirma que a alteração melhora a segurança dos passageiros devido ao motorista ficar com menos distrações na frente do coletivo. A atendente Jonilda Rodrigues, de 50 anos, compartilha da opinião do coordenador. Ela diz que se sente mais segura e acredita que a mudança é positiva. “O motorista vê quem entra e quem sai”.

Fonte: O POVO Online