Entenda como se formam as ondas que causaram transtornos no litoral de Fortal

Grandes ondas na Beira Mar

O alerta foi dado. Ondas com pico de 3,5 metros e aviso de mar grosso atingiram o litoral cearense durante o último fim de semana, conforme avisou a Capitania dos Portos do Ceará (CPCE) na última quarta-feira, 28. O fenômeno conhecido como ressaca do mar, contudo, não é anormal.
De acordo com a vice-coordenadora do curso de Oceanografia da Universidade Federal do Ceará (UFC), Ana Paula Morais Krelling, as ondas superficiais de gravidade, como são chamadas por especialistas, são geradas pelo vento. Elas vieram com intensidade principalmente na sexta, 2, e sábado, 3.
A professora atribui o fenômeno ao período de grandes tempestades no Oceano Atlântico Norte. O temporal está diretamente associado aos ventos intensos que duram tempo necessário para transferir energia pelo Oceano e viajar para o litoral cearense.
“No caso de Fortaleza, foi mais complicado porque estamos na maré alta, chamada sizígia, que ocorre em lua nova ou lua cheia. Nesse período, a preamar, quando a maré chega ao nível máximo, fica mais alta que o normal”, explica.
Da lua ao mar
Como explica a especialista, a maré é diretamente influenciada pela fase da lua. É em dias de lua cheia ou lua nova que a força gravitacional da lua coincide com o sol, resultando em maiores amplitudes de maré.
(Imagem: Climatempo)
As ondas de até 3,5 metros são explicadas com a combinação da maré mais alta que o normal aliada à chegada de ondas das tempestades do Atlântico Norte.
“Temos maré baixa e alta todos os meses aqui (em Fortaleza). E estamos exatamente no período em que as tempestades acontecem”, continua. “Nas estruturas de engenharia é preciso pensar no extremo do extremo. Há sempre a possibilidade de algo que destrua estruturas, que foi o que aconteceu na Capital”.
(Foto: Mateus Dantas)
Fonte: O POVO Online