Entre erros e acertos de Bolsonaro


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O presidente Jair Bolsonaro (PSL) chega à marca dos 100 dias com duas derrotas: a paralisia de um dos principais ministérios da Esplanada (Educação) e a queda de popularidade, aferida pelo instituto Datafolha – o presidente é o gestor mais mal avaliado em início de mandato desde a redemocratização.

Bolsonaro, todavia, obteve duas vitórias políticas nesse mesmo período: o leilão dos terminais aeroportuários, realizado com sucesso, e a flexibilização da posse de armas, uma promessa de campanha.

O pesselista tem ainda dois desafios pela frente: aprovar a reforma da Previdência, principal item da agenda econômica do governo, e organizar uma base parlamentar capaz de fazer avançarem as pautas do governo no Congresso.

Essa é a avaliação de alguns dos parlamentares e lideranças políticas consultados pelo O POVO. Em três meses à frente do Palácio do Planalto, o capitão reformado acumula reveses, como as crises que se originaram nas denúncias de candidaturas de “laranjas” do PSL e na atuação de Fabrício Queiroz, o ex-assessor do filho mais velho do presidente, senador Flávio Bolsonaro (PSL-SP). Para aliados, entretanto, esse foi um prazo de adaptação.

Coordenador do Movimento Brasil Livre (MBL) no Ceará, Carmelo Neto avalia que a trajetória da Presidência de Bolsonaro tem erros e acertos. Entre os êxitos, cita a nova forma de se relacionar com o Congresso. “Eu prefiro falar em boa e má política e não em velha e nova”, alertou. “O presidente está conversando com muita gente da má política, mas sem o toma lá dá cá típico de outros governos.”

Para o dirigente do MBL-CE, todavia, o pesselista ainda patina no comando do País. Por exemplo, diz Carmelo, “alguns campos do governo atrapalham o próprio governo”.

E aponta a briga no Ministério da Educação (MEC) “entre militares e ‘olavetes’” como um dos elementos de desgaste desde que Bolsonaro assumiu o leme, em janeiro. “O Vélez foi uma demissão que precisava ser feita até antes dos 100 dias”, defende.

Filiado ao Novo e integrante do Instituto Democracia e Ética (IDE), Fredy Menezes sublinha duas ações positivas da nova gestão do Executivo: o texto da Previdência e o pacote anticrime do ministro Sergio Moro, ambos apresentados à Câmara em fevereiro.

Menezes acrescenta um terceiro ponto: “A forma diferente de compor o ministério”, livre dos vícios de outros presidentes. “Não houve loteamento, como era costume ver no Brasil.” Para o membro do IDE, porém, há escorregões a serem corrigidos. “O governo precisa entender que, sem a reforma das aposentadorias, não há futuro. O presidente não fez ainda uma defesa enfática da Previdência.”

O deputado federal Domingos Neto (PSD-CE) adiciona um aspecto negativo da era Bolsonaro até aqui: “Houve um exagero em abominar a política. Acaba misturando, e qualquer articulação política é errada”, analisa o parlamentar, que coordena a bancada do Ceará na Câmara.

De acordo com ele, porém, Bolsonaro já teria entendido que não pode se divorciar da política. “Tanto que agora está recebendo os presidentes dos partidos. E não está recebendo nenhum pedido ou nenhum tipo de chantagem.” A grande dificuldade do presidente, diz o deputado, continua sendo na interlocução entre Executivo e Legislativo. “A articulação política do Governo é zero”, cravou.

Colega de Casa, o petista José Guimarães resume os trabalhos de Bolsonaro desde janeiro: “São 100 dias no escuro”. Segundo o parlamentar, o “governo não disse a que veio” e “fez apenas três coisas: abandonar o Nordeste, propagandear a reforma da Previdência e entregar o patrimônio brasileiro aos Estados Unidos”. E complementa: “Bolsonaro não tem projeto nem programa. São os 100 piores dias de governo desde Sarney”.

Também deputado federal pelo Ceará e presidente do PSL no Estado, Heitor Freire rebate o petista: “Bolsonaro já cumpriu várias promessas de campanha, mesmo em pouco tempo de governo”.

O parlamentar enumera: “A facilitação do acesso à posse de armas, o projeto de lei anticrime e, agora por último, o 13° pagamento para os beneficiários do Programa Bolsa Família”.

O pesselista acredita que os atropelos do presidente se devem ao período de arrumação. “É uma nova fase para todos, tanto para ele (Bolsonaro) quanto para os brasileiros, que estavam habituados com 
a velha política.”