Gasolina acumula aumento maior do que o diesel em 2019

A ameaça de greve dos caminhoneiros jogou holofotes na alta do preço do diesel neste ano, mas a gasolina já acumula variação maior. Em 2019, o reajuste promovido pela Petrobras para a gasolina vendida nas refinarias chega a quase 30%, enquanto o do diesel soma 24%.

O consumidor, porém, ainda não sentiu o impacto total desses reajustes, pelo fato de as distribuidoras estarem absorvendo parte desse aumento. Além disso, a Petrobras não repassou integralmente os ajustes da cotação do petróleo no mercado internacional.

Pelas contas do diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), Adriano Pires, para compensar integralmente a paridade internacional, só nos últimos 30 dias a estatal teria de ter elevado em R$ 0,18, e não em R$ 0,11, o preço do litro da gasolina. “Nesse período, a cotação internacional subiu 11%, e a Petrobras reajustou a gasolina em 6%”, diz.

A decisão das distribuidoras de absorver parte do reajuste praticado pela Petrobras também tem poupado um pouco os consumidores. No primeiro trimestre, o aumento nas bombas de gasolina nos postos foi de apenas 0,7%, ante alta de 20,2% nas refinarias em igual período, segundo a Associação Nacional das Distribuidoras de Combustíveis, Lubrificantes, Logística e Conveniência (Plural).

“Revendedores e distribuidores estão abrindo mão de margem para garantir o volume de vendas e manter competitividade”, explica o presidente executivo da Plural, Leonardo Gadotti.

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que a alta da gasolina começou a pesar mais no bolso do consumidor neste ano a partir de março, quando foi responsável por 16% da inflação de 0,75% registrada pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). O produto é o terceiro item que mais afeta o orçamento das famílias brasileiras, atrás apenas da refeição consumida fora de casa e do custo do empregado doméstico.

“Provavelmente os postos de combustíveis estão repassando a alta agora porque talvez tivessem estoque de combustível que compraram antes do aumento”, observa Fernando Gonçalves, gerente do Sistema Nacional de Índices de Preços do IBGE.

Para o professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Edmar Almeida, quanto mais segurar o preço, pior para a economia. Isso porque, quando o ajuste vier, terá de ser alto, levando em conta a continuidade do aumento da cotação do petróleo no mercado externo e a desvalorização do real no mercado interno.

Almeida estima que o petróleo não vai parar de subir no curto prazo, por conta da pressão da demanda, junto com uma queda de oferta provocada por Venezuela e Líbia.(Agência Estado)

Fonte: O POVO Online