General chama André Costa de ingrato e diz que Camilo “não colaborou”

General Theophilo, homenageado na Câmara pelo vereador tucano Plácido Filho

A noite deveria ser apenas de homenagens, mas o clima era de tiroteio político. Pouco antes de receber ontem, na Câmara de Vereadores, o título de cidadão fortalezense e a Medalha Boticário Ferreira, o secretário nacional da Segurança Pública, Guilherme Theophilo, disparou contra o governador Camilo Santana (PT) e o titular da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), André Costa.

Questionado sobre por que o município de Maracanaú, na região metropolitana, foi excluído de programa de redução de crimes violentos, formulado pelo Ministério da Justiça, Theophilo disse que a pergunta deveria ser feita ao petista.

“Foi ele (Camilo) que não colaborou, e não eu. Foi marcada uma reunião (entre os governos Federal e do Estado, no dia 12 de março), e ele não compareceu e não mandou ninguém. Só mandou o secretário da Segurança”, narrou o general.

Com orçamento estimado em R$ 200 milhões, o programa nacional deve contemplar cinco cidades no País. No município cearense, seriam construídas duas escolas militares e reforçado o contingente policial.

“É um projeto com sete ministérios envolvidos, e o Ceará vai ficar de fora. Mas aí vocês perguntem ao governador Camilo, que ele vai responder”, repetiu Theophilo. Em vez de Maracanaú, agora participa a cidade de Paulista, em Pernambuco.

O secretário defendeu a escolha do município, que, de acordo com ele, obedeceu a critérios “baseados em dados técnicos”.

No último fim de semana, durante participação no Congresso Estadual do Movimento Brasil Livre (MBL), em Fortaleza, o secretário já havia criticado o Governo do Estado por não haver, segundo ele, apoiado a iniciativa da gestão do presidente Jair Bolsonaro (PSL).

Nessa segunda-feira, o general e ex-candidato ao Palácio da Abolição também mirou no delegado da Polícia Federal André Costa. Sobre a acusação do chefe da SSPDS de que Theophilo havia mentido quando disse que o Ceará não apoiara o projeto, Theophilo afirmou que não iria responder porque “ele (Costa) é um menino e tem muito a aprender ainda”. Em seguida, repetiu: “Quando ele ficar mais velho, ele vai aprender”.

Durante fala na tribuna da Câmara, logo após as homenagens recebidas, o general lembrou ainda o envio das tropas da Força Nacional ao Ceará no início do ano, em meio à crise na segurança. Ele acrescentou então que, hoje, “ingratamente, (o secretário) vem me dizer que eu não aprendi a perder e que estou permanecendo em eleição. Isso jamais passou pela minha cabeça”.

Procurada pelo O POVO, a assessoria de imprensa do Governo do Estado enviou mensagem gravada por Costa na qual o secretário rebate Theophilo. “Nós nunca recebemos nada oficial, nenhum documento”, enfatiza o secretário. “Apenas uma reunião. Fizemos as nossas críticas, especialmente o porquê (da escolha) do município.”

Segundo ele, a equipe enviada pelo general para apresentar o projeto não soube “apresentar os indicadores e os dados da região Nordeste para justificar o porquê de Maracanaú”.

Fonte: O POVO Online