Governo vai rastrear dinheiro do tráfico

FORÇA-TAREFA para identificar rota do dinheiro ocorre em meio à intervenção federal no Rio WILTON JUNIOR/ AE

Como estratégia de combate ao fortalecimento das facções criminosas no Brasil, o Governo Federal decidiu incluir o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) em uma força-tarefa para identificar a rota do dinheiro do tráfico.

O objetivo seria enfraquecer o que move os comandos das facções nos Estados, que é o recurso financeiro que garante munição e controle de áreas principalmente nas periferias das grandes cidades, como Rio de Janeiro e Fortaleza.

“O grupo que comanda as operações no Rio terá de colocar o Coaf para fazer a descrição da rota do dinheiro”, disse o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Moreira Franco. Depois de liberar as Forças Armadas para fazer a segurança do Rio de Janeiro, o Palácio do Planalto pretende utilizar de todos os meios institucionais para tentar reverter o avanço do crime.

De acordo com o ministro, o objetivo da ação é construir uma força-tarefa formada pela Polícia e também pelos ministérios da Justiça, da Defesa e do Gabinete de Segurança Institucional, com participação do Ministério Público Estadual, da Defensoria Pública e do Judiciário.

“O importante é somar forças porque o cidadão precisa ter garantido o seu direito de ir e vir. Não pode ser coagido, não pode ser ameaçado ou tirado de suas casas, de seus templos… Muitas áreas, hoje, estão sob controle do crime organizado. Não dá para ser assim. Está na hora de dizer basta a isso”, disse o ministro.

O Coaf tem a atribuição de identificar movimentações financeiras consideradas atípicas e informá-las à Polícia Federal e ao Ministério Público, responsáveis por investigar a origem dos recursos.

Para o economista e membro do Conselho Federal de Economia (Cofecon), Henrique Marinho, a decisão governista não é promissora, tendo em vista que a identificação do recurso seria exitosa nos casos em que o traficante utilizasse sua própria identidade para movimentações financeiras, o que não acontece.

“É difícil pegar todo o rastreamento do dinheiro porque geralmente se trabalha com dinheiro vivo, o traficante dificilmente faz transações em rede bancária, geralmente tem laranja. Os próprios traficantes têm inteligência para agir de forma tal que não sejam descobertos”, ressalta Marinho.

O economista também questiona a forma como o Conselho aturará nesses casos, já que o Coaf trabalha “passivamente” necessitando de ordem judicial para quebrar os sigilos bancários dos investigados. “Não sei qual expediente jurídico o governo vai utilizar para o Coaf prestar essas informações. O Conselho não faz averiguação, ele detecta, é preciso que tenha uma ordem judicial autorizando o Coaf a abrir cada caso específico”, questiona.

Para o consultor financeiro Raimundo Padilha, no entanto, a notícia é positiva e já chega em atraso. “Até me surpreende estarem dando ênfase só agora (à medida) diante de uma necessidade absoluta desde a sua criação”, diz o economista.

Padilha argumenta que se houvesse um trabalho semelhante há alguns anos, a situação poderia estar melhor diante das dificuldades que governadores têm no combate à criminalidade nos estados. “Talvez se tivesse feito antes não estaria assim. Todo dinheiro tem de ser com origem, dinheiro sem origem não tem como circular. Como é que circulou? Alguma coisa não funcionou”, questiona.

com agências – O POVO Online