Igrejas evangélicas se reúnem em ato contra a violência

A LUTA CONTRA a violência foi destaque nas orações na Praça da Imprensa FOTOS MAURI MELO

Em oração e manifesto, centenas de fiéis se reuniram na manhã de ontem em sete pontos de Fortaleza simultaneamente em pedido de paz. Encabeçado por pastores religiosos e suas respectivas igrejas, o Pazcoa Cidade teve sua primeira edição nesta Sexta-Feira da Paixão e, segundo os organizadores, teve como foco a luta contra a violência e principalmente contra os homicídios de jovens e adolescentes na periferia da Cidade.

“Fazemos do Evangelho Pascoal a nossa peregrinação de cruz e de ressurreição, de sacrifício e de bálsamo, de dor e de consolação, de pranto e de esperança, até que a justiça corra como um rio e o amor seja nossa vestimenta”, destacava o manifesto divulgado pela organização do evento. A sede da Perícia Forense (Pefoce), antigo Instituto Médico Legal (IML) foi um dos pontos escolhidos para a ação. “De ontem para hoje, dezesseis pessoas passaram por essa dor da morte aqui”, disse o pastor Carlos Queiroz, membro de uma das igrejas que integram o movimento.

“Estamos aproveitando a ocasião onde a cultura brasileira de aproveitar da páscoa para uma sensibilidade mais profunda no que diz respeito à morte e a ressurreição, e o fato de Fortaleza ter um dos índices de violência mais altos, nós achamos que seria importante aproveitar esse espaço cultural religioso para também denunciar essa onda de violência”.

No local, integrantes das igrejas e pessoas de projetos sociais em comunidades também participaram do evento. Além da Pefoce, os outros locais que sediaram a ação foi a Praça da Imprensa; Assembleia Legislativa; Palácio da Abolição; Fórum Clóvis Beviláqua; Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec); Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Conforme a organização, os sete equipamentos públicos e privados foram escolhidos por representarem órgãos e entidades cujo capital social influencia o bem estar da sociedade como um todo. “Por entender que a cidade vive hoje num estado de extrema desigualdade social e econômica, reconhecendo que tais órgãos beneficiam apenas uma elite privilegiada em detrimento da grande massa abandonada, segregada e submetida aos ditames da violência”, explicaram. Valônia Cruz é voluntária em um projeto de esportes na periferia e conta que muitos jovens da comunidade onde atua, no Santa Filomena, foram assassinados. “Muitos deles tiveram trajetórias interrompidas, nós viemos ao IML para participar e fazer um clamor com a igreja”, diz. Jorge Luís Vieira, 39, participou do evento na Praça da Imprensa. Ele é morador do bairro Ancuri e afirma que integrou o ato para mostrar que é possível superar a violência.

A programação comum em todos os pontos de reunião contou com louvor, intercessão pelas comunidades, testemunhos de familiares de vítimas de violência, oração do Pai Nosso e oração de São Francisco de Assis. Segundo Armando Bispo, pastor da Igreja Batista Central, outras cinco igrejas participaram da ação.

“A mobilização é para orar, para interceder, para confessar nossos pecados. A igreja evangélica têm sido omissa, se unindo com políticos, pedindo benesses, trocando favores por votos. Achamos que era a hora de fazer essa mea culpa publicamente e a partir daí mostrar a nossa indignação com esses órgãos (nos lugares escolhidos) e dizer que o povo evangélico é um povo capilarizado porque a gente entra nas comunidades com amor de Jesus e não com truculência e nem a linguagem da violência”, conclui Armando.

Fonte: O POVO Online