IJF recebe menos acidentados de trânsito em 2017

MOTOCICLISTAS ainda são a maioria entre os pacientes por acidente de trânsito   FÁBIO LIMA

Em 2017, o Instituto Doutor José Frota (IJF) registrou redução no número de atendimentos a pessoas que se acidentaram de moto (22,9%), carro (4,2%) e bicicleta (15%), em relação a 2016. Também foram socorridos menos pedestres (15,2%) acidentados. Apresentado ontem, 28, pela diretoria do hospital, o levantamento mostrou ainda que a baixa de acidentes foi mais representativa na Capital, e que os motociclistas continuam a ser as vítimas mais frequentes.

Superintendente-adjunto do IJF, Osmar Aguiar comentou em coletiva para a imprensa que, desde 2003, motociclistas lideram a categoria de acidentados de trânsito no hospital. No entanto, desde 2014, observou, há uma tendência de queda na média mensal de atendimentos. Só que, mesmo assim, ainda são cerca de 716 motociclistas feridos por mês. Pacientes que, conforme o médico ressaltou, “chegam com diversas lesões e lesões graves”. Segundo estatísticas do Departamento Estadual de Trânsito (Detran-CE), a frota de motocicletas na Capital representa 26% do total de veículos. Esse número cresce para 52,6% no Interior, dado que pode ser apontado como uma das causas para a maior quantidade de acidentes. “Metade das internações é de Fortaleza e a outra é de outros municípios, o que demonstra que pacientes que vêm, normalmente ficam internados”, analisou Osmar.

O perfil do acidentado de moto não mudou em relação aos anos anteriores, segundo o médico. “Nosso pico é (homens com) 22 anos”. Além disso, ele explicou que a maioria se acidenta nos fins de semana e em grandes feriados como o da Semana Santa. “Principalmente aos domingos”, pontuou, “quando a pessoa não está numa atividade de trabalho ou estudo e está numa atividade de lazer onde se observa a associação do álcool com a imprudência, por excesso de velocidade e o não uso dos equipamentos de proteção”.

Tão ou mais vulneráveis ainda do que motociclistas, pedestres também chamam atenção do IJF pela complexidade dos ferimentos, geralmente causados por atropelamento. “Chegam com diversas lesões, desde fraturas expostas a traumatismos cranianos e torácicos. São pacientes mais graves porque o impacto é direto no corpo deles”, destacou Osmar.

O superintendente fez paralelo, ainda, em relação à quantidade de idosos mortos no trânsito de Fortaleza, que configuram a maioria, segundo a Prefeitura: “Um paciente de terceira idade não vem só com a lesão do acidente, chega com problema de pressão, diabetes, outra doença que vai complicar mais ainda a lesão aguda e o seu tempo de tratamento e reabilitação”.

Em nota, o Detran-CE informou que mantém operações de fiscalização tanto na Capital quanto no Interior. Entre os “inúmeros programas” específicos para segurança viária, o órgão destacou os de carteira de motorista estudantil e popular e outros para formação de agentes, educação e recolhimento de animais nas rodovias estaduais. Ainda destacou o Sinalize, programa com orçamento de R$ 120 milhões lançado pelo Governo em dezembro do ano passado no intuito de requalificar vias e sinalizações e, assim, reduzir mortes e acidentes no trânsito dos 184 municípios cearenses.

DEPOIS DO SUSTO, RISCO DE NOVO

JAMES DA MOTA, 27, trafegava a 90 quilômetros por hora na rua Pernambuco, em Fortaleza, na última quinta-feira, quando sua motocicleta colidiu com outra que estava prestes a fazer uma conversão. Tanto ele como a pessoa que estava na garupa da outra moto se feriram. Foi a segunda vez que James se acidentou no trânsito da Capital. “A maioria dos motoqueiros, quando se acidenta, diz que vai melhorar (trafegar na velocidade adequada). Isso é verdade por um certo tempo. Quando a pessoa perde o medo, volta a fazer”.

Fonte: O POVO Online