Laboratório de segurança vai centralizar dados do crime no Ceará

ANDRÉ Costa e Aluízio Lira (PRF) apresentaram o sistema integrado MATEUS DANTAS

Com capacidade para concentrar dados de pelos menos 50 sistemas de informação utilizados pelos órgãos de Segurança Pública e de analisar 3.000 tipos de dados diferentes, um super-servidor, batizado de Odin, será instalado no Ceará. O big data funcionará como a principal ferramenta do Laboratório Integrado de Segurança Pública (Lisp), cujo prédio será erguido na sede da Polícia Rodoviária Federal (PRF), no bairro Cajazeiras.

O anúncio oficial do lançamento do projeto, apresentado ontem ao O POVO, será feito na tarde de hoje, em cerimônia que contará com a presença do ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann. O evento está agendado para a sede da PRF, por volta das 14 horas.

A criação do laboratório é resultado do projeto Segurança Pública Integrada (SPI), desenvolvido em parceria entre a PRF e a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), com o apoio da Universidade Federal do Ceará (UFC). A ideia é ter uma análise de inteligência policial, com o uso de tecnologia e integração de câmeras, para desenvolvimento de estratégias contra a criminalidade.

“Saímos da fase de tratar a segurança pelo viés das estatísticas, da sociologia ou do policialesco. Queremos trabalhar com o conceito de ciência da Segurança Pública”, destacou o agente da PRF Aluízio Lira, coordenador do projeto.

Segundo ele, a atuação do laboratório tem como base quatro pilares.

O primeiro deles é o combate à mobilidade do crime, com o uso de câmeras e sistemas de segurança para identificar e localizar veículos roubados, por exemplo. A expectativa é que as imagens de mais de 40 mil câmeras sejam acessadas pelo servidor, incluindo os equipamentos de prédios privados, cujo o acesso é feito online.

O segundo será voltado a territorialização do policiamento, que passaria a levar em consideração não apenas a mancha criminal. O terceiro, a “investigação inteligente”, utilizando uma base de dados confiável e em tempo real. E o quarto, um melhor “controle e governança” dos dados, com otimização de efetivos e recursos, que poderão ser distribuídos de maneira mais específica, como perfil de agente a ser encaminhado a determinada ocorrência.

Já o acesso às informações no sistema poderá ser feito por computadores e smartphones. O nível de informação, contudo, deve variar de acordo com o cargo exercido pelo consultante.

No total, foram investidos R$ 120 milhões no projeto. Destes recursos, R$ 8,5 milhões foram custeados pela SSPDS e o restante, pela PRF.

Titular da SSPDS, André Costa enfatizou que viabilidade da implantação do projeto, que será o maior Laboratório de Segurança Pública da América Latina, se deu em razão da integração e da troca de informações entre a secretaria e a PRF. “Vamos transformar todo e qualquer policial nosso em um agente de inteligência. A ideia é formar o policial para que ele entenda que a abordagem que ele faz na rua será muito importante para o contexto da inteligência no Estado, pois ele também poderá abastecer o sistema, com informações e fotografias, por exemplo. A ideia é construir um sistema de inteligência integrado e disponível a todos”.

Embora o sistema já esteja em funcionamento, a previsão de conclusão de toda a estrutura física é meados de 2020.

MATHEUS FACUNDO
MATHEUS FACUNDO

ESCULTURAS COM .40

Em evento de inauguração da nova sede do Batalhão de Policiamento de Rondas e Ações Intensivas e Ostensivas (BPRaio) no bairro São Gerardo, o governador Camilo Santana (PT) e o secretário da Segurança André Costa foram homenageados com esculturas feitas com balas calibre .40. As obras são assinadas pelo artista plástico carioca Rodrigo Camacho, que reproduziu outras figuras da segurança pública num painel no local.

Fonte: O POVO Online