Macri recebe Fernández e controle sobre dólar é acirrado

Horas após de ser derrotado na noite de Domingo (27) em sua tentativa de reeleição, o presidente argentino, Mauricio Macri, envolveu-se nesta segunda-feira, 28, em dois movimentos destinados a conter a desvalorização do peso em relação ao dólar e tranquilizar o mercado após o triunfo peronista.
No plano político, Macri recebeu durante uma hora na Casa Rosada seu sucessor, Alberto Fernández, que obteve a vitória em primeiro turno, com 48,1% dos votos. Macri ficou com 40,3%, tendo sido computados 97% dos votos. Segundo relato de assessores, o encontro, no qual os dois ficaram sozinhos (a pedido de Fernández), foi amistoso.
O peronista pediu a formação de uma equipe de transição, para a qual indicou cerca de 30 pessoas. Macri concordou. Ficou acertado também que o governo atual terá autonomia plena sobre as decisões até 10 de dezembro, data da posse.
Antes da votação, uma reunião tão imediata e cordial entre os dois adversários parecia improvável. Ambos trocaram acusações e Fernández chegou a dizer que não conversaria mais com o presidente.
A reunião iniciada às 10h30 disputou espaço no noticiário local com o começo da vigência do limite imposto à compra de dólares. O Banco Central havia colocado uma barreira de US$ 10 mil por mês por pessoa após a vitória peronista nas primárias de agosto, em uma votação que serve como um simulado para a eleição real. Ontem, a cota foi reduzida radicalmente a US$ 200 por pessoa por mês. Este valor se aplica a transações cambiárias feitas no sistema financeiro. Os argentinos que quiserem comprar a moeda americana em efetivo só poderão adquirir US$ 100 por mês.
Analistas acreditam que a medida tende no curto prazo a evitar a corrida pelo dólar oficial, o que levaria à consequente redução das reservas da Argentina, estimadas em US$ 45 bilhões.
“É uma medida de emergência, prevista para vigorar até dezembro. Deve acalmar a demanda por dólar oficial, mas esse interesse deve se transferir ao mercado paralelo”, afirmou Martin Kalos, economista chefe da consultoria Elypsis.
Essa tendência foi confirmada ontem. No câmbio oficial, a moeda americana foi vendida a 63,5 pesos, permanecendo estável. No mercado paralelo, o dólar, cotado a 68 pesos na sexta-feira, passou a 74 pesos ontem.
A decisão do Banco Central de restringir fortemente o acesso ao dólar, medida que os argentinos chamam de “cepo”, tem alto significado político. Uma das primeiras medidas de Macri ao assumir o poder, em dezembro de 2015, foi desfazer o controle imposto por Cristina Kirchner no fim de seu mandato. Ele considerava o sistema incompatível com o projeto de abertura da economia.
Macri, que em eleições parlamentares de dois anos atrás contava com aprovação suficiente para lhe garantir uma vitória na renovação parcial do Congresso, agora enfrenta uma forte crise econômica, que o obrigou a renegociar dívidas com o Fundo Monetário Internacional (FMI) e se comprometer a cortes de gastos. A inflação está em cerca de 5% ao mês, o desemprego superou a casa dos 10% e a pobreza chegou a 35,4% dos argentinos. O governo argentino disse ontem que retomará o diálogo com o FMI assim que Fernández definir a equipe que negociará com a instituição. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
FONTE: O POVO ONLINE