Mais crianças do sexo feminino são executadas em epidemia de violência

Ainda sem data para ser divulgado oficialmente, o primeiro Boletim Epidemiológico dos Homicídios em Fortaleza confirmará tecnicamente que a Capital viveu uma epidemia de assassinatos em 2017 na população de dez a 19 anos. E que, nos primeiros quatro meses de 2018, dois fenômenos já registrados no ano passado continuam numa crescente: a infantilização e a feminilização desses homicídios. Mais crianças e adolescentes do sexo feminino estão sendo mortas pela violência na Cidade.

Considerando os meses de janeiro a abril, dos óbitos entre adolescentes, uma menina foi assassinada em 2017, enquanto 23 foram mortas neste ano. Dos dez aos 14 anos, a faixa infantil dos homicídios, o salto foi de cinco, no quadrimestre em 2017, para 18 no período em 2018.

De 2016 para 2017, o total de adolescentes mulheres executadas subiu 533%: de seis para 41 registros. A alta de adolescentes homens mortos foi de 87%: de 271, em 2016, para 509 casos, em 2017.

Essa é apenas uma parte do boletim, com taxas já consolidadas, que foi apresentada ontem pelo gerente da Vigilância Epidemiológica de Fortaleza, Antonio Silva Lima Neto, durante o Seminário Internacional de Segurança Pública, realizado pela Assembleia Legislativa. Ontem foi a primeira exposição dos dados ao grande público. Antes, os números foram exibidos, em reunião fechada do Comitê Estadual de Prevenção de Homicídios na Adolescência, há 3 dias.

Diferentemente dos dados de violência da Secretaria da Segurança Pública (SSPDS), que considera o local da ocorrência, o boletim epidemiológico adota como referência o local em que a vítima reside. Os parâmetros distintos podem resultar em dados diferentes informados entre a SSPDS e a Vigilância Epidemiológica de Fortaleza, admite o gerente.

Em sua apresentação, Antonio Neto admitiu a possibilidade de que a cooptação de mais adolescentes mulheres por facções criminosas, ou casos de vingança entre grupos rivais, possam estar entre as causas de tantos homicídios femininos. Mas ele preferiu tratar como uma das possibilidades a serem analisadas a partir do boletim.

O relatório passará a ser emitido a cada quadrimestre. Semelhante às divulgações periódicas de registros de saúde, como dengue ou chikungunya. O boletim cruza, por bairros, casos de homicídios com os de tuberculose e sífilis congênita. Segundo Antonio Neto, o estudo constatou que as quatro áreas mais críticas de Fortaleza das ocorrências de doenças se sobrepõem aos da violência: Grande Bom Jardim, Grande Jangurussu, Barra do Ceará e Vicente Pinzon. “Inicialmente será trabalhado um território com maior índice em cada Regional, com suporte social e de saúde. Depois o trabalho será expandido”, afirmou.

SEM QUÓRUM

Para assistirem à programação do seminário, os deputados não tiveram sessões no plenário. Apenas Renato  Roseno (Psol) e Capitão Wagner (Pros) acompanharam discussões das mesas principais.

DEBATE TÉCNICO

As mesas, fóruns e conferências não tiveram nenhum nome do Executivo ou do parlamento local. Decisão da coordenadoria do evento, para evitar o tingimento político-partidário nos debates.

SEM JUNGMANN

O ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, cancelou presença na conferência de encerramento, prevista para as 18 horas de hoje. Falaria sobre o hub da Segurança Pública no Ceará.

 Fonte: O POVO Online