Moradores perdem bens, temem problemas de saúde e reclamam de ruas alagadas

Bairro Lagamar

Fortaleza amanheceu sem chuvas nesta terça-feira, 2. Mas mesmo com essa pausa do tempo, os moradores do bairro Aerolândia precisaram ter paciência e enfrentar mais um dia com as casas e ruas alagadas após o canal do Lagamar transbordar. O POVO Online percorreu alguns trechos considerados mais críticos e acompanhou o drama de moradores que pedem por providências do poder público.

De acordo com eles, nesse período em que a quadra chuvosa fica mais intensa é impossível dormir. O medo de ter as casas invadidas pela água, perda de móveis e eletrodomésticos e de contraírem doenças já fez com que muitos abandonassem suas residências. O mecânico Luiz Azevedo explicou que dentro do canal, além da vegetação que não é retirada, sobra o acúmulo de entulho que é despejado pela própria população. Além disso, o canal recebe água que vem de rios e outros canais. “Esse lado da cidade costuma ficar esquecido, não lembro quando foi a última vez que fizeram alguma limpeza nesse canal”, conta.

Bairro Lagamar
Bairro Lagamar (Foto: (Foto: Aurelio Alves/O POVO))

 

Outros moradores relataram que durante os dias em que as chuvas foram mais intensas, nenhum órgão da prefeitura esteve no local para auxiliar ou para providenciar algum tipo de abrigo para as famílias que perderam seus bens.

Além dos transtornos de terem suas casas alagadas, uma das principais reclamações dos moradores é o medo de contrair algum tipo de doença. Rafael Sampaio, de 19 anos, relatou que alguns animais apareceram mortos e que aumentou a quantidade de insetos e mosquitos. “Aqui passa rato boiando, a gente tá dividindo a vida com bicho morto, as crianças pensam que são brinquedos, a gente não tem nem o que fazer, a nossa porta é uma piscina de lixo”, conta.

Bairro Lagamar
Bairro Lagamar (Foto: (Foto: Aurelio Alves/O POVO))

 

Simone Maia da Cruz, de 33 anos, é mãe de quatro crianças e foi uma das moradores com a casa mais prejudicada. Desempregada, ela conta que na hora em que percebeu que o volume de água estava aumentando, se desesperou porque os filhos dormiam e ela não sabia para onde ir. “A água ficou perto da minha cintura, fiquei com as quatro crianças nos braços, e sai pedindo ajuda para os vizinhos”, conta.

FORTALEZA, CE, BRASIL, 02-04-2019: Simone, moradora do bairro Lagamar. Bairro Lagamar mesmo sem chuvas a água não é escoada por conta do esgoto, e com o canal com muita planta e lixo, sem limpeza a muito tempo da prefeitura.
FORTALEZA, CE, BRASIL, 02-04-2019: Simone, moradora do bairro Lagamar. Bairro Lagamar mesmo sem chuvas a água não é escoada por conta do esgoto, e com o canal com muita planta e lixo, sem limpeza a muito tempo da prefeitura. (Foto: (Foto: Aurélio Alves/O POVO))

 

O POVO Online entrou em contato por telefone com a Secretaria da Regional Vl, que atende a região, e o órgão informou que a Agência de Fiscalização de Fortaleza (Agefis) realiza a limpeza regular do canal do Lagamar e que, durante a pré-estação, limpou as bocas de lobos nas ruas do bairro Aerolândia.

A secretaria ainda explica que isso ocorre no bairro porque “o canal do Lagamar é uma região inserida no percurso natural do Rio Cocó, onde sempre haverá incidência de transbordamento no período de chuva mais intensa, como as que ocorreram nos últimos dias”.

Segundo o órgão, 1.300 bocas de lobos foram desobstruídas, de outubro a dezembro do ano passado. Neste ano, foram mais de 1.500, de janeiro a março. Quanto à limpeza de canais, só em 2019 “já foi registrada a limpeza total de 34 recursos hídricos, dentre eles o Canal do Lagamar”.

As famílias que tiveram suas casas afetadas pela chuva no entorno do canal devem solicitar visita dos agentes da Defesa Civil, por meio do telefone 190.

De acordo com o órgão, é necessário a conscientização dos moradores para o evitar o descarte irregular, que é um dos principais fatores que levam ao acúmulo tanto no canal quanto nas bocas de lobos. A secretaria também pede que a população denuncie os infratores de depósitos de lixo em espaço público, por meio da Central 156.

Fonte: O POVO Online