Motorista que causou acidente na Osório de Paiva nega ter ingerido álcool

 CAMINHÃO colidiu com motos e carros na noite de 30 de julho Alex Gomes/ Especial para O POVO

O motorista de caminhão que atropelou e matou duas pessoas e deixou outras 12 feridas conforme dados da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) , na avenida Osório de Paiva, teve prisão flagrancial convertida para preventiva. A decisão foi tomada em audiência de custódia realizada na quinta-feira, 9. No mesmo dia, o inquérito policial foi encaminhado ao Ministério Público Estadual (MPCE). Foi recomendada a denúncia por homicídio doloso (quando há intenção de matar). Fabiano Queiroz da Silva, 35 anos, está detido desde que recebeu alta médica, no último dia 1º, um dia depois do acidente.

Na audiência, ele negou ter feito uso de bebida alcoólica. Conforme registrado na decisão judicial, Fabiano afirmou ser epiléptico, tendo parado de tomar a medicação para poder manter-se no emprego. Ele disse ainda não lembrar do acidente porque teria perdido a consciência. O POVO não conseguiu contato com a defesa do acusado na noite de ontem.

A versão é diferente da de testemunhas ouvidas na investigação. Policiais militares que atenderam à ocorrência afirmaram que Fabiano tinha claros sinais de embriaguez. Um ajudante do motorista, que estava com ele no caminhão, relatou ao inquérito que Fabiano tinha bebido cachaça horas antes. O acidente ocorreu na volta de uma viagem ao Cumbuco, em Caucaia (Grande Fortaleza), onde os dois realizaram a desmontagem de um palco, contou o delegado Evandro Alves, que presidiu o inquérito. O acusado chegou a afirmar ter ingerido cachaça em vídeo que circula na internet, feito durante atendimento médico em decorrência de tentativa de linchamento dele.

Ao O POVO, o delegado afirmou que o laudo da Perícia Forense teve resultado inicial inconclusivo quanto à embriaguez de Fabiano. Novo exame foi pedido e ainda aguarda conclusão.

Conforme a decisão, para a juíza Fabiana Silva Félix da Rocha, mesmo se a versão do acusado for verdadeira, está denotada a “periculosidade” de Fabiano. Por isso, ela argumenta, a custódia cautelar se faz necessária. “O total descaso do autuado com a vida humana, seja pela ingestão de bebida alcoólica antes de conduzir veículo automotor, seja por deixar de tomar, deliberadamente, a medicação adequada para epilepsia, continuando na condição de motorista profissional, coloca em risco a vida de incontáveis pessoas”. Mesmo o fato de Fabiano ser réu primário é menor diante dessa ameaça, alega a magistrada.

No acidente, morreram José Francisco Viana Lopes, de 62 anos, e Débora da Silva Pinheiro, de 32 anos. Além disso, 12 pessoas ficaram feridas e 18 veículos foram atingidos. O caminhão conduzido por Fabiano percorreu centenas de metros após colidir com o primeiro veículo. Parou apenas quando um dos carros arrastados bateu em poste, o que “segurou” o causador do acidente, segundo os PMs acionados para a ocorrência.

Fonte: O POVO Online