Número de homicídios cai 53,6% durante primeiro semestre no Estado

Primeiro semestre de 2019 registra menos da metade dos assassinatos no mesmo período de 2018

Em comparação, os primeiros cinco meses de 2018 foram registrados 1.996 assassinatos, contra 935 em 2019.

Pelo 15º mês seguido, o Ceará registra redução no número de Crimes Violentos Letais e Intencionais (CVLIs) na comparação com o mesmo mês do ano anterior. Em junho de 2018, 384 pessoas perderam suas vidas em CVLIs, enquanto, em junho último, esse número foi de 168. Os dados foram anunciados na manhã de ontem pela Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), em reunião que contou com representantes de diversos órgãos ligados à segurança pública.

Conforme as estatísticas da pasta, o primeiro semestre deste ano no Estado registrou menos da metade do número de assassinatos na comparação com o semestre do ano passado. Enquanto 2.380 foram mortos nos seis primeiros meses de 2018, neste ano, no mesmo período, foram 1.105 casos. A redução é de 53,6%. Os CVLIs englobam homicídios, latrocínios e lesões corporais seguidas de morte. As reduções ocorreram em todas as regiões do Estado. A maior variação no período ocorreu justamente na Capital, que reduziu em 57,7% esses tipos de crime. Foram 780 casos em 2018 contra 330 em 2019. Neste semestre, destaca a SSPDS, em 33 dias não ocorreram assassinatos no Município. Fortaleza registra queda no número de CVLIs há 16 meses.

Em entrevista coletiva, o secretário da Segurança Pública André Costa voltou a creditar os resultados positivos às ações desenvolvidas pela SSPDS, como a territorialização do policiamento em áreas sensíveis e investimento em novas tecnologias. De acordo com ele, esse foi o melhor primeiro semestre referente a CVLIs desde 2009. Além dessas ações, André Costa destacou o papel da Secretaria da Administração Penitenciária (SAP) na diminuição dos CVLIs.

Presente à reunião, Mauro Albuquerque, secretário da SAP, voltou a afirmar que o Estado retomou o controle dos presídios. “(Em) Várias unidades nossas já não entra celular desde janeiro”, ressaltou, acrescentando ainda que a meta é “zerar” a entrada dos aparelhos. Ele disse que apenas “uma ou outra” unidade penitenciária do Estado ainda tem também divisão por facções, algo que ele prometeu acabar quando assumiu a SAP no início do ano. Segundo ele, só não foi possível fazer a separação por completo das facções por causa da reestruturação pela qual passa o sistema penitenciário. “Hoje, por exemplo, há pessoas que moram em algum bairro e têm que estar protegidas.” Porém, ressaltou que faccionados têm regime endurecido, com, por exemplo, recebimento de visita apenas uma vez por mês — quando o preso comum recebe quinzenalmente. Integrantes de facção, ainda, recebem as visitas em parlatório, com separação por vidros.

André Costa também afirmou que a pasta segue investindo para reduzir ainda mais a criminalidade, sobretudo, em novas tecnologias. O secretário disse que novo dispositivo de reconhecimento facial por smartphone deve passar a ser utilizado em breve. Conforme o secretário, a nova tecnologia poderá, pelo rosto, identificar criminosos a partir de um banco de dados. “Tem mais coisa por vir. Cada vez mais vai ficar difícil para o criminoso estar nas ruas e não ser identificado pela inteligência, pela Polícia”, disse Costa. Ele ainda garantiu que ampliará as bases do Programa de Proteção Territorial e Gestão de Riscos (Proteger), que devem chegar em breve a municípios da Grande Fortaleza.

Também presente ao encontro, o procurador-geral de Justiça do Estado do Ceará, Plácido Rios, destacou a integração existente entre as forças de segurança no Estado. Ele ainda adiantou que, “nos próximos dias”, o Ministério Público Estadual (MPCE) junto à Polícia Civil e à Coordenadoria de Inteligência (Coin) deve desencadear novas ações contra facções criminosas. “Acreditamos até que já existem muitos membros migrando para outros estados em face dessa retaliação que o Estado vem fazendo.” Conforme ele, o MPCE vem tendo como foco combate à lavagem de dinheiro e à sonegação fiscal.

Fonte: O POVO Online