Observatório quer explicações sobre moradores “fichados” no Rio


MORADORES de três comunidades foram fotografados na última sexta-feira WILTON JUNIOR/AGÊNCIA ESTADO

As Forças Armadas voltaram ontem a realizar operação na Vila Kennedy, no Rio de Janeiro. Na sexta-feira, 23, cerca de 3 mil fuzileiros navais trabalharam na destruição de barricadas e revistas em automóveis e a moradores. Ontem, equipes do Exército circularam em blindados por becos e vielas.

Na sexta-feira, os fuzileiros tiraram fotos de moradores c0m as carteiras de identidade, o que gerou mal-estar e críticas. O objetivo, argumentaram, era agilizar a checagem de antecedentes criminais. Instalado ontem, o Observatório Jurídico da intervenção no Rio, composto por nove membros (entre integrantes da Ordem dos Advogados do Brasil – Rio de Janeiro (OAB-RJ) e juristas renomados), deve cobrar do Exército detalhes sobre esse cadastro.

Na primeira reunião, foi deliberado que o interventor será oficiado para detalhar os critérios para a realização do fichamento. Para Rodrigo Brandão, professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) e integrante do observatório, a prática “pareceu inconstitucional” por ter sido feita sem regulamentação prévia e por incluir a fotografia das pessoas, independentemente de terem sido acusadas de algum crime.

Na sexta, os militares permaneceram durante todo o dia na favela. Com a saída deles, à noite, traficantes reassumiram seus postos, contaram moradores. A operação de ontem não foi divulgada pelo Comando Militar do Leste (CML), ao contrário das anteriores. “A informação vazou. Ontem à noite os traficantes foram embora”, afirmaram moradores.

(Agência Estado) – O POVO Online