PCC planejava expandir organização criminosa para todos os presídios da RMF

Documento mostra as interceptações telefônicas que descobriram as negociações de detentos

O primeiro Comando da Capital (PCC) planejava expandir o comando da organização criminosa para todas as unidades prisionais da Região Metropolitana de Fortaleza (RMF), onde estão concentradas as principais penitenciárias do estado do Ceará. A informação foi obtida na denúncia do Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE) referente à operação Saratoga. Doze integrantes do PCC foram denunciados pelo MPCE por suspeita de ataques contra antenas de telefonia, tráfico de drogas e homicídios. A investigação é relacionada ao período de maio de 2015 e 2016.

A investigação aconteceu por meio do relatório de inteligência da Coin, que informava sobre uma possível expansão do PCC na Capital e RMF. A facção estava ampliando o número de batismos e, com os novos integrantes, tinha o objetivo de obter o comando em todas as unidades prisionais da Região Metropolitana.

Conforme o documento, a atuação do PCC era, principalmente, voltada para o comércio ilícito de entorpecentes. Também era voltada para o tráfico de armas, assaltos e homicídios em decorrência do tráfico.

Por meio de interceptações telefônicas foi descoberto que os membros fidelizavam a organização por meio do pagamento da “cebola”, que funcionava como uma mensalidade para quem estivesse fora da prisão ou uma taxa vinda da compra, venda e distribuição de drogas e armas em conjunto. Alguns dos criminosos lideravam o próprio grupo.

João Neto Vaz de Sousa Neto, que está atualmente no presídio federal de Catanduvas, aparece nas investigações como um dos principais traficantes do comércio de entorpecentes. Ele é apontado por ser o comandante da organização no Bom Jardim e que, por meio das interceptações, desenhava acordos de paz e planejamento de homicídios.

Interceptações telefônicas

Em um dos áudios, João Neto aparece falando sobre a dominância do PCC na área dele. No áudio 21419731.WAV, o denunciado diz “que no setor dele ninguém encosta, que é tudo deles, LUMINOSA E ÁGUA NA BOMBA, que tudo é cadastrado pelo 15, que tudo é PCC”.

Em outra conversa está relatado que “Os caras do CV (Comando Vermelho) não são bem vindos na área, pois “lá são tudo PCC”. Em mais uma interceptação, ele relata que em maio de 2016, durante uma conversa com um presidiário de nome Gugu, sobre o quebra-quebra nas unidades prisionais e que “as ruas” estão todas abertas, o que faz referências as alas do presídio.

Gugu esclarece para ele que pegaram um “cabueta” e que levaram para a cela dos “irmãos PCC”. Ainda no fim da conversa, João Neto fala sobre o interesse de fazer o batismos, o que revela a influência sobre a organização criminosa.

João Neto, em outra interceptação telefônica, diz que as disciplinas do PCC são pesadas e que o “ripinol” (entorpecente) está proibido nas áreas dele. E alerta que quem tomar “Ripinol” será “disciplinado”.

Ainda em uma outra conversa, no dia 16 de abril de 2016, em que um companheiro de cela de João Neto, fala sobre a ordem dele de atear fogo em antenas de telefonia espalhadas pela Cidade. Entre os dias 13 e 16 de abril de 2016 foram realizadas uma série de ataques a antenas e equipamentos de operadores de telefonia celular em Fortaleza e Região Metropolitana.

Em outras conversas telefônicas foram descobertas negociações dos “parceiros” de João Neto negociando cocaína e “cortar 02 quilos ao meio, quatro pedaços de meio”. Em outra conversa é negociado crack e maconha.

Fonte: O POVO Online