Perda de energia por “gatos” é a maior em 10 anos no Ceará

O índice de perdas na rede elétrica por irregularidades é o maior em 10 anos no Ceará. Segundo o Relatório de Perdas de Energia, divulgado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), o percentual apurado na Enel Ceará subiu de 4,1%, em 2008, para 9,3% no ano passado. O comportamento observado reflete, em especial, o roubo de energia, popularmente conhecido como “gato”.

Segundo o relatório da Aneel, o acompanhamento dos desvios é feito mediante monitoramento da evolução das perdas reais. A agência ainda adotou como meta técnica o patamar de 5,1%, que, contudo, não foi batido pela Enel nos últimos três anos. Desde 2012, a concessionária não consegue atender o ideal.

Por não cumprir a meta, os acionistas da Enel arcam com queda de receita, mas o secretário adjunto de Energia, Mineração e Telecomunicações da Secretaria de Infraestrutura do Estado (Seinfra), Adão Linhares, diz que a concessionária se prejudica no momento da revisão tarifária, “por não ter administrado da melhor forma o ativo concedido pela União”.

Neste cenário, o consumidor também acaba arcando com o aumento no número de “gatos” na rede elétrica. Dos prejuízos da Enel com o problema, 1,5% do valor vai parar nas contas mensais.

Em resposta ao O POVO, a empresa diz em nota que registrou 13,56% em perdas, mas que nos últimos dois anos 200 mil inspeções foram realizadas, significando alta de 78%. Neste ano, as incursões devem dobrar. A companhia, porém, não revelou o prejuízo decorrente dos “gatos” na rede. No País, o prejuízo foi de R$ 5 bilhões, de acordo com o relatório.

Segundo a Enel Ceará, 65 pessoas foram presas por furto de energia em 24 municípios cearenses. Destas prisões, 11 foram em Fortaleza. Sobre o valor que para nas contas dos consumidores, revela que o percentual “está abaixo da média nacional”.

O vice-presidente da Câmara Temática de Energias Renováveis e consultor da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec) na área de Energia, Jurandir Picanço, avalia que, além das fraudes, “gestão inadequada, defeitos de medição e problemas nas trocas de medidores” também entram na conta.

“É um péssimo indicador e indica relaxamento da gestão. Infelizmente tem acontecido não só perda técnica como também nos índices de continuidade da distribuição. A Enel tem piorado sua performance na manutenção do sistema, duração equivalente, frequência de interrupções têm aumentado”, critica.

Já o presidente do Conselho de Consumidores da Enel Ceará, Erildo Pontes, estranha o índice apesar do aumento das fiscalizações. Para ele, a alta reflete maiores dificuldades financeiras das pessoas. “Nas comunidades mais complexas, onde existe um domínio de facções, seguramente há casos de desvio de energia, pois a companhia não consegue realizar a fiscalização, nem mesmo manutenção da rede”, acrescenta.

Números

O novo Código da Cidade, cujo texto-base foi aprovado na terça-feira, 25, proíbe fios aéreos de telecomunicação e energia. A mudança para rede subterrânea deve acontecer até 2034.

Fatalidades decorrentes de choques elétricos causaram 38 mortes no Ceará em 2018, segundo o Anuário Estatístico 2019 da Abracopel.

Fonte: O POVO Online