Petroleiros convocam mobilização, e Governo ameça entrar na Justiça

PETROLEIROS também pedem que Governo reduza o preço dos combustíveis FABIO LIMA

A dois dias da greve nacional de 72 horas marcada para começar à meia-noite de quarta-feira, 30, a Federação Única dos Petroleiros (FUP) convocou para hoje um dia de mobilização em todas as unidades da Petrobras pelo País. A ideia é que os petroleiros não assumam seus postos pela manhã, informa o coordenador-geral da FUP, José Maria Rangel. Mobilizações do tipo já foram feitas ontem, em seis refinarias e duas fábricas de fertilizantes.

Segundo o líder sindical, a mobilização nacional funcionará como um “esquenta” da paralisação de 72 horas decidida pela FUP em reunião na tarde de sábado, 26. A ideia para a mobilização prévia não é parar completamente a produção.

Ainda no sábado, a FUP entregou o comunicado de greve à Petrobras. A lista de reivindicações inclui cinco pontos, entre eles a demissão do presidente da companhia, Pedro Parente. A categoria pede também a redução dos preços dos combustíveis e do gás de cozinha; a manutenção de empregos e retomada da produção interna de combustíveis; o fim da importação de derivados de petróleo; e a desmobilização do programa de venda de ativos promovido pela estatal.

Para Rangel, a pauta de reivindicações “dialoga” com os pedidos feitos pelo movimento grevista dos caminhoneiros e com uma preocupação da sociedade. “A sociedade está sendo penalizada pelos preços abusivos dos combustíveis”, diz Rangel, acrescentando que o objetivo de alinhar os preços dos combustíveis internacionalmente seria uma estratégia da Petrobrás para vender refinarias.

Ontem, o Governo Federal começou a estudar a possibilidade de entrar com ação na Justiça para tentar barrar a greve dos petroleiros. A ação teria de ser impetrada pela Advocacia-Geral da União (AGU), possivelmente no Supremo Tribunal Federal (STF), para ter abrangência em todas as refinarias do País. O assunto foi aventado em reuniões realizadas no Palácio do Planalto.

Rangel afirma não ter conhecimento dos movimentos da AGU, mas, segundo ele, “não será nenhuma surpresa”. O coordenador-geral da FUP destaca que a entidade está certa de que cumpriu todas as exigências legais para garantir o direito de greve, tanto que a paralisação foi convocada para começar 72 horas depois de a decisão ter sido comunicada à estatal. (Agência Estado)

CAOS PODE SER MAIOR

Uma greve de petroleiros terminaria por estender a situação caótica vivida no País por um período imprevisível, na avaliação de um interlocutor do presidente Michel Temer.

Fonte: O POVO Online