Poliomielite: casos na Venezuela e baixas coberturas vacinais no Brasil preocupam

CAMPANHA DE vacinação contra polio acontece em agosto, no Brasil TOMAZ SILVA/AGÊNCIA BRASIL

Entre os dias 6 e 24 de agosto, acontecerá a Campanha Nacional de Vacinação contra Poliomielite. Nenhum caso é registrado no Brasil há 29 anos, mas o surgimento de um surto na vizinha Venezuela, o alto número de crianças venezuelanas refugiadas em solo brasileiro e os índices de cobertura vacinal do País abaixo de 95% fizeram a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) emitir nota técnica sobre a doença. Em 2017, o Ceará obteve a maior taxa de imunização entre os estados, de 103%.

O risco dos baixos índices de vacinação é a suscetibilidade de infecção pelo vírus do tipo vacinal, que conforme autoridades da saúde, é o atual circulante na Venezuela. “O vacinal é quando deriva da vacina, que é feita com o vírus vivo. Em raríssimos indivíduos (relação média de um para cada um milhão), esse vírus sofre uma reversão, deixa de ser enfraquecido e pode circular no meio ambiente. Esse fenômeno acontece raramente, mas pode ter algum impacto se encontrar populações desprotegidas”, explica o presidente do Departamento Científico de Imunizações da SBP, Renato Kfouri.

Foi o que provavelmente aconteceu na comunidade venezuelana localizada no município de Tucupita. De acordo com informações da SBP, o primeiro caso na região ocorreu em uma criança de 2 anos, sem precedentes de vacinação. Outros casos foram identificados em uma comunidade vizinha e estão sob investigação. O vírus vacinal pode causar a mesma paralisia do vírus selvagem, hoje considerado circulante no Afeganistão, Paquistão e Nigéria. De acordo com o Ministério da Saúde, no Brasil, apenas o Ceará apresentou taxa de cobertura vacinal acima de 95% no ano passado. A média do País é de 77% e 15 estados estão com índices abaixo dos 70%. Renato Kfouri ressalta que alguns números podem estar desatualizados, mas frisa que o nível para manutenção de segurança é de 95%. As três primeiras doses da vacina são de Vacina Inativada Poliomielite (VIP), sem riscos de reversão. “Dificilmente uma criança que tomou as três primeiras doses terá a doença. Mas os reforços são importantes”, frisa.

A coordenadora de imunização da Secretaria da Saúde do Estado (Sesa), Ana Vilma Leite Braga, afirma que, durante a campanha, as doses são direcionadas a crianças de 1 a 4 anos e que a vacina é a oral, com o vírus atenuado. “Terá também a vacinação com sarampo.

Uma vacina injetável que a criança toma uma dose tríplice viral (contra sarampo, caxumba e rubéola) e três meses depois toma mais uma dose de sarampo e mais uma tetraviral, adicionada da proteção contra catapora”, detalha.

A vigilância da poliomielite consiste da notificação imediata de caso de deficiência motora flácida em menores de 15 anos. E com passagem por países com circulação do vírus nos últimos.

Fonte: O POVO Online