Porto do Pecém aposta em placas solares e parceria com startups

NOVAS TECNOLOGIAS devem dar mais competitividade ao Porto do Pecém

A Companhia de Desenvolvimento do Complexo Industrial e Portuário do Pecém (Cipp S/A) está mirando em novas tecnologias para melhorar a eficiência e competitividade do porto. Até 2020, será concluída a instalação das primeiras placas solares e adoção de frota de carros elétricos. Mas também está em estudo a realização de um hackathon, uma maratona de desenvolvimento tecnológico, em busca de soluções de logística e meio ambiente.

O assessor de qualidade e inovação do Complexo, Márcio Mamede, explica que está sendo estruturada no porto uma área de inovação e este é dos projetos que estão sendo avaliados e devem constar da nova leva de investimentos. O formato ainda não está fechado.

“A gente está avaliando a viabilidade, desde questões que envolvam startups a empresas de maior porte. E um aspecto que a gente trabalha bastante é manter a estrutura do complexo totalmente atualizada em relação ao que o mundo deseja e precisa, englobando tanto a questão da satisfação dos usuários, como redução de custos, e mais eficiência, não só logística, mas de forma mais ampla, como o meio ambiente”.

Ele explica que já está em andamento a instalação de placas solares na área do estacionamento. Com investimento de R$ 450 mil, o projeto vai gerar energia para abastecer o prédio comercial, o bloco de utilidade de serviços e também ficará disponível para fazer carregamento de veículos elétricos. A licitação está em fase de homologação e deve ser concluída no ano que vem. “A tendência é, conforme os resultados, ampliar a área de estacionamento coberto.”

Também está prevista a substituição de parte da frota de veículos que rodam apenas no porto para carros elétricos. Inicialmente seriam oito. Para o projeto, já foram destinados R$ 300 mil, em 2020, e mais R$ 300 mil para 2021.

Até dezembro deste ano também deve ser finalizado o berço nove, que é a segunda fase de ampliação, iniciado há dois anos. O investimento de R$ 1,3 bilhão vai possibilitar praticamente dobrar a capacidade do porto. Inicialmente, eram quatro berços distribuídos em dois píers. “O que nos possibilitará receber até dez navios de forma simultânea.”

Ele reforça que até o próximo semestre devem ser implantados dois novos guindastes para operar placas de aço, que usam eletroímãs, e podem reduzir em até 30% os custos operacionais.

“Uma das grandes vantagens do Porto do Pecém é que há uma flexibilidade muito grande para se adaptar à carga, mesmo aquelas que nunca operamos. Um exemplo disso foi o primeiro embarque de manganês, neste ano. Usamos uma caçamba que pudesse fazer o transbordo do caminhão ao navio sem impacto ambiental”, afirma.

O movimento de modernização no Pecém não é isolado, afirma o economista Alcântara Macedo. Outros portos também estão investindo forte em inovação para ganhar eficiência em processos. O de Santos (SP), por exemplo, tem previsão de aplicação de R$ 7 milhões em 2019 em ações inovadoras ligadas à tecnologia da informação (TI). E rever esta infraestrutura logística é uma necessidade urgente do País.

Mas, um dos pontos que o porto cearense tem a seu favor, na avaliação dele, é a idade. “O Porto do Pecém, por ser mais novo, com equipamentos mais modernos e não ter tantos vícios trabalhistas e corporativistas como os portos mais antigos pode ganhar uma velocidade maior nestas transformações.”

A parceria com Roterdã pode acelerar mudanças e isso já vem sendo observado. Ele conta que durante reuniões com fundos de investimentos internacionais, em diversas situações, o porto foi citado como um atrativo positivo do Ceará. “O porto de Roterdã possui tecnologia de ponta e uma gestão que é reconhecida no mundo por ser eficiente”, afirma.

FONTE: O POVO ONLINE