Preço da gasolina sobe 13% em Fortaleza

O recente aumento do valor dos combustíveis em Fortaleza fez com que o preço ficasse no patamar do observado no período da greve dos caminhoneiros no Brasil, em maio do ano passado. O POVO percorreu diversos postos durante o fim de semana e encontrou gasolina variando de R$ 4,52 a R$ 4,89, diferença de 8% (R$ 0,55). Só em 2019, o valor médio do litro do produto subiu 13%, passando de R$ 4,21, em janeiro, para R$ 4,76 neste mês, às vésperas do feriado da Semana Santa.

 A média de preços dos combustíveis durante a greve dos caminhoneiros ficou em R$ 4,54 para a gasolina; R$ 3,61 para o etanol, e R$ 3,80 o diesel, de acordo com dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). O Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do Estado do Ceará (Sindipostos) diz que os estabelecimentos comercializam os combustíveis com base nos preceitos da livre demanda do mercado.

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O aumento não atingiu somente o valor da gasolina. Etanol e diesel também tiveram seus preços reajustados em Fortaleza nos últimos dias. A advogada Márcia Maia reclama da alta da gasolina, afirmando que foi pega de surpresa na hora de abastecer. Na opinião dela, isso não deveria ter ocorrido, já que a Petrobras não anunciou aumento nas refinarias. Apenas o diesel sofreu reajuste de R$ 0,10 pela estatal.

A advogada aponta saídas como a carona amiga e Uber a fim de diminuir o impacto do aumento no orçamento. “Agora muitos vão voltar a deixar o carro em casa ou sair com um carro só, fazendo uma logística para reduzir o gasto com combustível. Muitos também trocam a gasolina pelo etanol. “Meu carro é flex, mas não costumo usar etanol, que teve aumento de preço, o que acaba fazendo o consumidor ficar sem alternativas”, acrescenta.

O consultor na área de petróleo e gás, Bruno Iughetti, diz que não houve nenhuma mudança no programa de reajustes da Petrobras ou reajuste em refinarias nos últimos dias que justificasse tamanho aumento. Ele revela que o que existe é um represamento de preços. “O que acontece é que os preços estavam represados devido a questões de mercado e competitividade. Se os donos de postos fossem obedecer a todos os aumentos da Petrobras, teríamos alta BEM mais representativa neste ano. Mas o aumento, até agora, não foi repassado integralmente”, completa.

Eysler Padilha é empresária e conta que ficou “horrorizada” ao chegar no posto de combustível e ver que o valor do litro da gasolina está próximo de R$ 5. “Acho um absurdo ter subido o dessa maneira. E não podemos fazer nada porque não posso ficar à pé, o porquê do aumento não entendemos”. Apesar de reclamar, a empresária acredita que nos próximos dias o preço deve baixar, pois o feriadão terá passado.

Segundo Iughetti, a tendência é que os valores se estabilizem nos próximos dias. “Os preços nos próximos 30 dias devem permanecer mais equilibrados. A própria Petrobras está tendo o cuidado de realizar os reajuste somente quando é impossível de segurar”, observa. Sobre os reajustes próximos de feriados, avalia se tratar de estratégia de mercado, mas que o principal vilão do consumidor são as altas taxas sobre os combustíveis, que chegam a 47% do valor da gasolina, exemplifica.

“O problema pode se equacionar se o Governo utilizar o colchão tributário para que fossem amortizados os aumentos, pelo menos durante determinado período. Nós temos uma carga tributária extremamente elevada”, afirma.

Feriadão

Gerente de posto de combustível Ipiranga no bairro Meireles, Nacélio de Lima conta que o movimento foi considerado normal durante todo o feriado. Ele conta que motoristas reclamaram do recente aumento de preço dos combustíveis, mas que isso não se refletiu em redução de consumo, pelo contrário. Segundo o gerente, houve até aumento das vendas devido a maior popularização de apps que oferecem descontos aos clientes fidelizados.

Fonte: O POVO Online