Prefeitura quer criar “corredor turístico” na Av. Desembargador

 Redesenho urbano proposto para a avenida Desembargador Moreira prioriza pedestres e ciclistas

A avenida Desembargador Moreira, em Fortaleza, vai mudar. Até outubro do ano que vem, em três trechos da via vai ser trocada a pavimentação asfáltica, reconstruído o canteiro central, instaladas rampas de acessibilidade nas calçadas, expandida a malha cicloviária e feitas outras intervenções viárias. A Prefeitura alega que a obra viabiliza um corredor turístico e caminhável entre o aeroporto da Capital, na Serrinha, e a rede hoteleira, na Beira Mar.

Em coletiva para a imprensa ontem, 14, Manuela Nogueira, secretária municipal da Infraestrutura, disse que as intervenções estão orçadas em R$ 31,4 milhões oriundos de investimentos externos — ou seja, não municipais — e contemplam, também, a requalificação viária das avenidas Dom Luís, Raul Barbosa e Abolição.

Na Desembargador Moreira, considerada a maior obra, o executivo municipal dividiu a via em três trechos por considerar que eles servem a diferentes demandas de uso e ocupação. “Caracterizamos o trecho um (entre as avenidas Raul Barbosa e Padre Antônio Tomás) como um grande corredor de passagem de veículos. O dois (entre a Padre Antônio Tomás e a Dom Luís), como de maior densidade comercial. E, o três (da Praça Portugal até a Beira Mar), como de maior potencial para construir uma rota de pedestres”, explicou Luiz Alberto Sabóia, secretário-executivo da Conservação e Serviços Públicos.

O terceiro trecho é o que mais deve impactar o trânsito na região, visto que, da Praça Portugal em diante, veículos vão poder somente descer em direção à praia e em apenas duas faixas de tráfego. O fluxo inverso deve ser redistribuído entre as ruas Oswaldo Cruz e Barbosa de Freitas. Isso porque, especificamente nesse trecho da Desembargador, a calçada vai ser alargada para possibilitar maior fluxo e segurança para pedestres, que, nos horários de pico, de acordo com estudo da Prefeitura, representam aproximadamente 1,9 mil transeuntes.

“Quando a gente faz isso, é pra fortalecer um segmento”, alegou Ferruccio Feitosa, secretário da Regional 2, que abrange a área. Conforme o gestor, comerciantes e moradores teriam sido procurados antes do anúncio das intervenções. “Pessoas que já empreendem nesta via estão simpáticas (à proposta de requalificação) e com desejo de expandir seus negócios”, afirmou.

Quanto à integração do sistema de transporte público na região, Sabóia assegurou que as linhas de ônibus não devem sofrer drásticas alterações e que, além de ser expandida a malha cicloviária (com instalação de estações do sistema de bicicletas compartilhadas, o Bicicletar), o pedestre terá ganho de seis mil metros quadrados em calçada.

Já nas outras vias (Abolição, Dom Luís e Raul Barbosa), segundo Manuela Nogueira, basicamente deve ser trocado o pavimento asfáltico para um mais resistente, de polímero, modificados iluminação, sinalização e paisagismo e colocado piso de concreto próximo às paradas de ônibus. Somente a Dom Luís vai ter tratamento diferenciado, com reforma de calçadas, instalação de mobiliários urbanos, extinção de estacionamentos irregulares e outras intervenções.

A secretária assegurou que as obras não necessitam de desapropriações e nem preveem retirada de árvores. Também alegou que nem todas as calçadas das quatro vias vão ser completamente padronizadas porque o recurso que há em caixa não seria suficiente. “Não existe padronização, mas terá tratamento”, garantiu.

FONTE: O POVO ONLINE