Previsão de alta do PIB do Ceará para 2018 recua para 2,6%

A previsão de crescimento da economia do Ceará para 2018 foi revisada para baixo. Até o 4º trimestre de 2017 a expectativa era que o Produto Interno Bruto (PIB) fechasse em 3,5%. Ontem, porém, a projeção caiu para 2,6%.

Ainda assim, o cenário que se desenha é que o Ceará vai crescer em ritmo superior à média do País, que não deve atingir 2% no período. As expectativas foram realizadas ontem durante divulgação dos resultados do Estado do 1º trimestre deste ano pelo Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará (Ipece).

Um ritmo mais lento de recuperação da economia constatado no primeiro trimestre e os recentes acontecimentos que trouxeram incertezas ao cenário macroeconômico como impacto nos setores da greve dos caminhoneiros, a alta do dólar e a indefinição política brasileira influenciam na composição deste cenário.

“A gente ainda não sabe com certeza como este cenário de instabilidade no Brasil vai rebater na economia do Ceará, mas é certo que não ficará imune. Ainda assim, o que se projeta é um resultado positivo”, avalia o coordenador de Contas Regionais do Ipece, Nicolino Trompieri.

Ele reforça que, dentre os fatores que podem ajudar o Ceará a se recuperar de forma mais rápida está o fato de o setor de serviços, que vem se recuperando com mais força, ter um peso maior na economia estadual (75,95%) do que no PIB brasileiro. Além disso, o Estado, diferentemente de outras unidades da federação, tem conseguido manter equilíbrio fiscal e o nível de investimentos. “A atividade do turismo no também está sendo beneficiada pelo hub aéreo e os novos voos internacionais. E este é um setor que movimenta muito outras atividades”, diz.

Os rumos que a política macroeconômica vai tomar daqui para frente, sobretudo, em relação à política de juros, concessão de crédito e de combustíveis, no entanto, podem colocar isso em risco. “Se os empresários não tiverem um quadro claro do que vai ser a política daqui para frente, isso vai ser um problema para o nosso crescimento”, avalia o analista do Ipece, Alexsander Cavalcante.

O coordenador de Políticas Públicas, Ítalo Paiva, reforça que se a crise for mais de expectativa, a indústria, por ser a que primeiro recebe as demandas, deve ser também a que deve levar mais tempo para se recuperar. Porém, se esta instabilidade resultar em fenômenos reais, como o agravamento do desemprego e aumento de inflação, o comércio será o mais prejudicado.

Alguns setores no Estado já ligaram o sinal de alerta. A construção civil, que tem peso de 8,12% no PIB do Ceará, saiu de uma alta de 2,36% no quarto trimestre de 2017, para uma queda de 6,21% no primeiro trimestre deste ano.

Paiva explica que este é um setor que cresceu muito nos últimos anos, alvo de investimentos públicos maciços, Copa do Mundo e intensificação do Minha Casa, Minha Vida, mas que agora vem sofrendo. “Existem duas possibilidades: essa dimensão que assumiu não ser real e o setor estar passando por um processo de ajustes para voltar ao equilíbrio ou foi realmente um movimento pontual do início do ano. É preciso observar mais alguns trimestres”. E para o setor agropecuário, a quantidade e distribuição das chuvas é decisiva para o seu crescimento.

Irna Cavalcante – O POVO Online