Previsão para dólar é ficar a R$ 5 e levar a alta de juros e inflação

Beirando os R$ 4, o dólar fechou o dia ontem cotado a R$ 3,91 e apresentou pico de R$ 3,96. O maior valor desde 1º de março de 2016. Na esteira da supervalorização da moeda norte-americana, que pode chegar aos R$ 5, especialistas ainda preveem altas na inflação e na taxa Selic.

Os efeitos vão desde o aumento do trigo do pão carioquinha de todos os dias, passam pela dilatação das taxas nos cartões de crédito, e chegam à retração dos empréstimos nos bancos e do poder de compra do consumidor. Para o economista Wellington Ramos, da agência classificadora de risco Austin Rating, até desaquecer, o dólar ainda pode bater os R$ 5.

Na tentativa de mitigar a desvalorização do real, o Tesouro Nacional e o Banco Central (BC) têm lançado mão da venda de moeda no mercado futuro, usando os R$ 380 bilhões em reservas cambiais que o País tem. Ontem, os juros futuros desaceleraram o ímpeto de alta, mas, ainda assim fecharam em níveis bastante acima dos ajustes anteriores. Acontece que a curva de juros aumenta as chances de alta da taxa Selic.

Um pouco antes das 16 horas, os Depósitos Interfinanceiros (DIs) mostravam 32% de chance de uma elevação de 0,75 ponto porcentual e 68% de possibilidade de alta de 0,50 ponto na Selic, que atualmente é de 6,5%.

Para o economista e professor da Universidade de Fortaleza (Unifor), Ricardo Eleutério, aumentar a taxa Selic seria “guinada improvável” na política que o BC tem adotado. O presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, descartou a possibilidade de realização de reunião extraordinária do Comitê de Política Monetária (Copom) para mexer na taxa de juros.

Mesmo com o dólar subindo 18% neste ano, e tendo sido ontem o real a moeda que mais caiu ante a divisa norte-americana, entre as economias emergentes, o presidente Michel Temer (MDB), complementou que “não há risco de crise cambial”.

Com o dólar alto, aumenta a pressão sobre a inflação, indica Eleutério. Importações de trigo, de insumos para fertilização da safra e de componentes de tecnologia sofrem elevação nos preços. Combustível, estopim de crise recente, também pode ter valor inflamado. “Isso mexe em toda a cadeia produtiva e pode impactar no preço final dos alimentos”, projeta Eleutério. A inflação corrói também o poder de compra de quem tem renda fixa.

O turismo internacional é prejudicado. Ontem, o dólar turismo em espécie chegou a custar R$ 4,15 e, no cartão, R$ 4,37, nas casas de câmbio em Fortaleza. A alta da moeda norte-americana ainda eleva preços de compra do euro, que em espécie chegou a R$ 4,82 e, no cartão, a R$ 5,17. A agente de câmbio da Ceará Travel, Camila Gonçalves, relatou que ontem foi “desde fevereiro, o pior dia de oscilações”. “Mas houve um aumento significativo da procura por moeda, devido ao medo de aumentar ainda mais”, conta. Em contrapartida, o mercado de exportações e o turismo dentro do País podem ter período de lucro.

Com Agência Estado – O POVO Online