Samu atende, em média, 14 pacientes com suspeita de Covid-19 por dia no Estado

Samu atende, em média, 14 pacientes com suspeita de Covid-19 por dia no Estado

De 15 de março — quando os três primeiros casos de Covid-19 foram confirmados em Fortaleza — até 26 de abril, o número saltou para 6.260 confirmações no Ceará. Nesse mesmo período, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) recebeu 620 chamados de pacientes com suspeita da doença no Estado. Isso representa 14 ocorrências por dia, em média. O número corresponde a cerca de 5% do total de atendimentos realizados pelo Samu no Ceará, que somaram 12.763 nesse período. Os dados foram informados pela Secretaria da Saúde do Estado do Ceará (Sesa).

Em meio ao avanço da Covid-19, O POVO ouviu três profissionais que atuam no atendimento a pacientes com suspeita ou confirmação da doença. Enquanto continuam acontecendo ocorrências como acidentes, quedas e outras emergências atendidas pelo Samu, mudanças foram realizadas na rotina de trabalho das equipes para a atuação no combate ao coronavírus.

Atualmente, o Serviço está presente em 78 cidades cearenses. Na Capital, onde há maior concentração de casos de Covid-19, o Samu 192 Fortaleza realizou 305 atendimentos a pacientes com suspeita da doença entre os meses de março e abril, segundo informou a Secretaria Municipal da Saúde (SMS) no último dia 27. Em relação ao mesmo período do ano passado, a Pasta afirma que houve aumento de 5,5% nos agravos de natureza clínica e redução de 16,9% no número de ocorrências de natureza traumática.

Para a técnica de enfermagem Paula Miranda, 22, a rotina “começou a ficar mais apertada”, com casos suspeitos e confirmados da doença. Segundo ela explica, geralmente o Samu faz a transferência dos pacientes das UPAs para os hospitais. “Mas, antes de irmos, temos que fazer a paramentação adequada — vestir macacão, os EPIs, gorro, máscara e óculos —, e acaba sendo bem cansativo, porque em cada ocorrência demoramos no mínimo 2h30min”.

O tempo médio para atendimento em caso de suspeita de Covid-19 é de 1h20min, segundo a Sesa. A demora relatada por Paula refere-se ao processo de os profissionais se equiparem, à transferência do paciente e a eventuais esperas. “E, depois ir, se desparamentar com todo cuidado para não se contaminar. Então, requer bastante paciência”, complementa.

Segundo Laura Vida, 23, também técnica em enfermagem, o dia a dia de trabalho “mudou totalmente”. Conforme ela relata, as equipes foram treinadas para vestir e tirar os trajes de segurança antes e depois de ocorrências suspeitas; houve mudança na limpeza e na desinfecção das bases e os colegas passaram a evitar aglomerações.

Além disso, com o coronavírus, a atenção com a higiene e com o uso de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) foi redobrada. “Qualquer paciente que pegarmos na rua ou residência pode ser um portador de Covid-19 sem sintomas, e a equipe, sem saber, (pode) se contaminar”, conta.

Laura, que atua em Caucaia, percebe aumento dos atendimentos em casos de dispneia — dificuldade para respirar, um dos principais sintomas causados pelo novo coronavírus —, mas relata que ainda há “uma quantidade significativa” de casos de trauma, como acidentes, colisões, quedas e perfurações. “Acabamos participando de todos os tipos de ocorrências, do parto ao óbito”, afirma.

No Estado, 368 profissionais atuam, por turno, no Samu, incluindo médicos (36), enfermeiros (40), socorristas (148) e técnicos de enfermagem (148). O médico Lucas Silveira, 26, trabalha em ambulâncias de suporte avançado, que contam também com enfermeiros, e condutores socorristas. Ele explica que os pacientes em estado mais grave — como aqueles que precisam de ventilação mecânica — são transferidos por essas equipes.

“A nossa rotina de trabalho, que antes era de atendimentos de rua — como politraumatizados, infartos e AVCs (acidente vascular cerebral) —, acaba se mobilizando um pouco para esses pacientes suspeitos ou confirmados de Covid-19”, relata. Ao todo, o Estado conta com 121 ambulâncias de suporte básico, 25 de suporte avançado, duas de suporte intermediário, duas motolâncias e dois aeromédicos, conforme a Sesa.

Na Capital, conforme a SMS, o Samu 192 Fortaleza conta com 19 ambulâncias de suporte básico, seis de suporte avançado e duas de suporte intermediário, além de seis descaracterizadas que atendem especificamente pacientes com suspeita e/ou confirmação de Covid-19.

Para que um veículo de suporte avançado seja enviado para determinada ocorrência, segundo explica o médico, deve haver “uma regulação cautelosa”, pelo número limitado. “Acabamos indo para ocorrências certas: uma transferência regulada, já aceita, e que os recursos particulares ou da unidade solicitante não são capazes de fazer a transferência. Mas, quando se julga necessário um médico em uma avaliação de determinado paciente, o recurso também é enviado, principalmente nos casos de insuficiência respiratória”, explica.

FONTE: O POVO ONLINE