Sem Moro, Bretas assume protagonismo na Lava jato

BRETAS é titular da 7ª Vara Federal Criminal do Rio

A prisão do ex-presidente Michel Temer (MDB) e o potencial das investigações sob o comando de Marcelo Bretas conduziram o juiz da 7ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro ao posto de principal nome da Lava Jato, após o ex-juiz Sergio Moro assumir o Ministério da Justiça. Desdobramento de operações no Rio que estão sob sua alçada devem gerar nos próximos meses turbulência para políticos, empresários e até integrantes de cortes superiores.

Mais midiático do que Moro, o juiz participou da cerimônia de posse do presidente Jair Bolsonaro (PSL). Atuante nas redes sociais, já divulgou, por exemplo, foto em que segura um fuzil, e chegou a defender o governo em uma postagem, além de parabenizar Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) pela eleição ao Senado. Flávio é alvo de investigação no Ministério Público do Rio – fato que Bretas não comenta.

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O juiz é considerado um magistrado linha-dura. A ordem para prisão preventiva de Temer foi seu ato mais polêmico e contestado até o momento por juristas e advogados. A decisão inclui termos como “possivelmente, provavelmente, bastante plausível”, que, para os críticos, indicam não haver provas concretas que justificariam a medida.

Ao decidir pela prisão de Temer, o juiz contribuiu para dar fôlego ao governo após seguidas crises, entre elas, a que envolve Moro, que havia sido criticado pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ). Um dia depois do ataque, o ex-ministro Moreira Franco, padrasto da mulher do deputado, foi preso a mando de Bretas na ação que encarcerou o ex-presidente.

As redes sociais mostram que o episódio animou a militância pró-Bolsonaro numa semana em que o Ibope mostrou acentuada queda na popularidade do presidente. Bretas ganhou no Congresso o apelido de “melhor articulador político do governo”.

Na decisão que mandou prender Temer, Bretas deixou claro que fará a defesa da Lava Jato no embate com o Supremo Tribunal Federal (STF). No documento, além de tentar evitar que o caso fosse parar nas mãos do ministro Gilmar Mendes, visto como algoz da operação, Bretas criticou a abertura de inquérito de ofício – sem pedido do Ministério Público. Na última semana, o presidente do STF, Dias Toffoli, abriu investigação desse tipo para apurar supostos ataques a integrantes da Corte.

Os processos conduzidos por Bretas, além de complicar a situação de políticos, também devem aumentar a tensão entre o STF e os integrantes da Lava Jato. Uma pequena amostra dessa possibilidade surgiu na revelação sobre uma proposta de acordo do empresário Jacob Barata, conhecido como “rei do ônibus”. Um dos anexos apresentados por ele, que não foi aceito pelos investigadores, citava repasses a um ex-assessor do ministro Luiz Fux, do STF.

Além de Barata, na mira de Bretas, estão 45 doleiros que movimentaram mais de US$ 1,6 bilhão em cinco anos, o ex-governador Sérgio Cabral, o empresário do setor de transportes José Carlos Lavouras e o ex-presidente da Fecomércio Orlando Diniz – que já apresentou proposta de acordo em que explica por que pagou R$ 180 milhões a escritórios de advocacia. Todos prometem revelar informações sobre o Judiciário.

Cabral é outro nome que pode contribuir para que Bretas se torne o substituto de Moro como principal nome da Lava Jato. Os quase 200 anos de prisão a que Bretas condenou Cabral levaram o ex-governador a confessar crimes em busca de possível acordo para proteger familiares. A reportagem fez contato com a 7ª Vara, mas Bretas não respondeu. (Agência Estado)

Números

Investigações comandadas por Bretas já prenderam ao menos 145 pessoas desde 2015. Ele homologou ao menos 35 acordos de colaboração. Dados foram usados em condenações de 40 pessoas cujas penas somadas chegam a 665 anos.

Fonte: O POVO Online