Valorização dos espaços públicos de leitura ainda é desafio

Biblioteca Pública Governador Menezes Pimentel passa por obra de integração com  Centro Dragão do Mar Mateus Dantas

Monteiro Lobato dizia que um país se faz com homens e livros. E bibliotecas também, por consequência. Como um potencial espaço para estudo e de troca de saberes, estes equipamentos culturais têm buscado na apropriação de novas linguagens uma forma de resistência em meio ao crescimento da cidade. A despeito da modernização no acesso à informação, elas ainda podem ser uma alternativa para muitos pesquisadores, estudantes e leitores de diversos tipos. Das quatro bibliotecas públicas existentes na Capital, a de maior porte passa por reformas há quatro anos e pelo menos outras duas têm buscado gradualmente ressignificar as formas de interação entre os leitores e os livros.

 

A Biblioteca Pública Menezes Pimentel é o equipamento cultural mais antigo do Estado e data de 1867. Desde 2015, parte das suas mais de 132 mil obras está abrigada na Biblioteca Pública Espaço Estação, próxima à Estação João Felipe, no Centro da cidade. Os motivos são as sucessivas reformas técnicas e estruturais no prédio original. A Secretaria da Cultura do Estado (Secult) informa que todo o reforço na estrutura foi concluído, mas segue em andamento a obra de integração com o Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura (CDMAC). A segunda fase está orçada em R$ 2 milhões e teria um prazo de conclusão de 90 dias. A reabertura do espaço, porém, foi adiada para novembro deste ano.

 

Fabiano Piúba, secretário da Cultura do Ceará, explica que o cronograma foi prejudicado por atrasos em licitações. “Foi também uma decisão tomada para que o público possa ter acesso a um espaço mais completo de interação entre leitura e outras linguagens artísticas.” Ele explica que a modernização do interior é uma das propostas da segunda fase da reforma. “Todo espaço vai ser pensado como um grande centro cultural, com vãos mais abertos e livres”, conclui. O acervo inclui enciclopédias, periódicos impressos e pelo menos 2.500 volumes em Braille. Ainda este ano o aparelho cultural deve receber uma licitação para a atualização dos livros e ampliação do acesso às publicações digitalizadas.

 

Desde abril deste ano o bairro Autran Nunes conta com um novo centro de cultura: a biblioteca Cristina Poeta. Além do acervo de 7.500 livros, o espaço tem telecentro com quatro computadores e sala de leitura. “Temos um apelo muito positivo junto à comunidade, que se sente muito à vontade aqui. Existe uma demanda espontânea, mas também há escolas que vêm nos visitar, por causa do nosso projeto permanente de contação de histórias”, diz Necilma Macedo, diretora do local. O acervo reúne obras clássicas, cultura afro e folclore brasileiro. A biblioteca atende públicos diversos e recebe muitos ‘concurseiros’ todos os dias.

 

“Quem frequenta bibliotecas tem um grande potencial para desenvolver competência crítica.” Para isso, a professora Lídia Cavalcante acredita que elas devem não só estar próximas da população, mas também ser um espaço de encontro. “Isso deve fazer parte das políticas institucionais do equipamento. A biblioteca precisa ser um lugar de aconchego e interação”, completa. Lídia, do Curso de Biblioteconomia da UFC, acredita que estes equipamentos públicos têm um papel salutar não só para a leitura, mas também para atividades de pesquisa e acesso a obras raras de escritores locais. A pesquisadora pontua a necessidade de uma organização das bibliotecas segundo o interesse do público-alvo, mas lamenta que os acervos nem sempre estejam atualizados e em bom estado.

 

Enquanto as bibliotecas públicas oferecem acesso a um acervo mais amplo, as comunitárias assumem um perfil mais personalizado e direcionado para o público em que estão inseridas. Quase sempre geridas por uma ação comunitária ou grupos de voluntariado, elas são capazes de desenvolver um papel mais assertivo na formação de leitores. A professora Ana Carvalho, do Departamento de Ciências da Informação da UFC, acredita que elas buscam suprir uma necessidade de descentralização que as bibliotecas públicas não são capazes de realizar. “A ampliação do acesso à leitura pode permitir o engajamento social e inclusive causar a diminuição dos índices de violência.”

 

SERVIÇO

 

BIBLIOTECA ESPAÇO ESTAÇÃO

 

Onde: rua 24 de maio, 60 – Centro (em frente à Praça da Estação).

Horário: de segunda a sexta-feira, de 9 às 17 horas, e aos sábados, de 9 às 15 horas.

 

Cadastro: uma foto 3×4, carteira de identidade, CPF, comprovante de residência e pagamento de uma taxa de R$ 4.

 

Serviços oferecidos: pesquisa em jornais microfilmados, internet, empréstimo de livros e consulta local, sala de estudos, hora do conto, visitas guiadas.

 

Acervo: 40 mil livros do acervo da Biblioteca Pública Governador Menezes Pimentel (livros em braille, livros infantis, obras do Ceará,obras gerais, literatura e jornais).

 

Informações: (85) 3101.6799

 

BIBLIOTECA PÚBLICA MUNICIPAL DOLOR BARREIRA

 

Onde: avenida da Universidade, 2572, Benfica.

 

Horário: de segunda a sexta-feira, das 8 às 20 horas.

 

Serviços oferecidos: espaço de leitura, setor com livros em braile, gibiteca, telecentro, espaço infantil, contação de histórias, curso de geofilosofia e meditação, vila RPG.

 

Acervo atual: média de 35 mil volumes.

 

Cadastro: É necessário documento com foto, comprovante de endereço e foto 3×4. O Telecentro da Biblioteca Dolor Barreira conta com cinco computadores com acesso à Internet, disponíveis para usuários cadastros das 13 às 17 horas.

 

Informações:(85) 3105.1299

 

BIBLIOTECA PÚBLICA INFANTIL HERBÊNIA GURGEL

 

Onde: rua 531, 25, 2ª etapa do Conjunto Ceará

Horário: de segunda a sexta-feira, das 8 às 18 horas

Serviços oferecidos: espaço de leitura, telecentro, sala multiuso, brinquedoteca, além de um parque infantil.

 

Acervo atual: média de 5 mil volumes.

 

Como é feito o cadastro: É necessário documento com foto, comprovante de endereço, foto 3×4.

 

Público-alvo: Crianças e adolescentes.

 

Informações:(85) 3259.4370

 

BIBLIOTECA CRISTINA POETA

 

Onde: rua Raimundo Ribeiro, 580 – Autran Nunes.

 

Horário: de segunda a sexta-feira, das 8 às 17 horas

Serviços oferecidos: além do acervo, a biblioteca disponibiliza quatro computadores de acesso livre; sala multiuso, destinada a aulas, cursos e palestras; sala de leitura; espaço para estudos em grupo.

 

Acervo atual: média de 7.500 livros.

 

Cadastro: é necessário documento com foto, comprovante de endereço, foto 3×4.

 

Público-alvo: geral.

 

Informações: (85) 3452.3891

 

Biblioteca Comunitária Papoco de Ideias

 

Onde: travessa Piauí, 387 – Planalto Pici.

 

Horário: de segunda a sexta-feira, das 8 às 17 horas.

 

Serviços: mediação de leitura, capoeira, cordel, desenho, práticas e técnicas teatrais.

 

Informações: (85) 98607.9540

 Fonte:  O POVO Online